Os trabalhadores do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24 horas e O Jogo realizam esta quarta-feira um dia de greve em protesto contra o despedimento colectivo promovido recentemente pela Controlinveste e pela Jornalinveste.

No total, aquelas duas empresas anunciaram o despedimento de 118 trabalhadores até 30 de Abril, tendo já os sindicatos alertado para o perigo de uma segunda vaga de rescisões, de mais 80 a cem contratos, até ao Verão.

«Queremos com esta greve de 24 horas alertar os cidadãos para os perigos de encerramento dos quatro títulos que estes despedimentos indiciam», disse à Lusa fonte dos trabalhadores.

A fonte frisou os «efeitos nefastos que isso teria para o caudal de informação relativa ao Norte e para a pluralidade jornalística a nível nacional».

«Adesão positiva», diz sindicato

Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, ressalvou ser cedo para fazer um balanço e avançar com números, mas disse ser possível «avaliar já que a adesão é positiva».

O mesmo afirmou o delegado sindical do Jornal de Notícias Paulo Silva que assegurou estarem «largas dezenas de pessoas concentradas» à porta da publicação, no Porto.

O jornalista salientou porém que muitos trabalhadores só entram à tarde, o que sucede também nos outros jornais do grupo.

Alfredo Maia adiantou que o levantamento do número de adesões já está a ser feito, mas balanço só estará pronto à tarde, depois de entrarem ao serviço os restantes trabalhadores.

À porta das instalações do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 Horas e O Jogo, em Lisboa e no Porto, está a ser distribuído pelos grevistas um panfleto que apela à solidariedade para com esta acção de luta.

No folheto, os trabalhadores explicam que a greve foi a forma encontrada para protestar contra a decisão do Grupo Controlinveste de despedir 119 trabalhadores, entre jornalistas, gráficos, técnicos e outros profissionais.

Adiantam ainda que para evitar ou pelo menos diminuir o número de despedimentos, foram apresentadas à administração propostas concretas que passavam pela diminuição dos seus direitos e salários.

«Mas as empresas proprietárias do JN, DN, 24 Horas e O Jogo não aceitaram as propostas apresentadas pelos representantes dos trabalhadores nem apresentaram medidas alternativas», acrescenta o documento.

Para os trabalhadores, esta medida é «injusta e desnecessária», porque sacrifica o emprego de várias pessoas, quando os encargos poderiam ter sido reduzidos através de outras medidas.

Entretanto, o Bloco de Esquerda veio manifestar, em comunicado, a sua solidariedade para com estes trabalhadores, acusando o grupo Controlinveste de estar mais interessado no despedimento do que na reestruturação, visto nunca se ter mostrado disponível para negociar outras soluções.

Actualizada às 14 horas

Para o Bloco de Esquerda «é inadmissível» que os trabalhadores continuem a ser encarados como «matéria descartável», quando se fala em contenção de custos, ainda para mais num grupo que aumentou recentemente as vendas dos seus jornais.

A Lusa tentou contactar a administração da Controlinveste, mas até ao momento não foi possível.