O antigo chefe de Estado português Jorge Sampaio defendeu nesta terça-feira, em Lisboa, a necessidade de impulsionar o ensino superior em situações de emergência para formar "uma nova geração de líderes".

No segundo e último dia da conferência "Os Direitos Humanos e os Desafios do Século XXI - Globalizar a Dignidade", Jorge Sampaio sublinhou a importância de "proteger e mobilizar" o grupo crítico dos jovens entre os 18 e os 25 anos, aos quais "caberá a reconstrução dos países destruídos por guerras demolidoras".

A duração média de uma guerra civil é de oito a dez anos e o de permanência num campo de refugiados estende-se a 17 ou 18 anos" e impedir o acesso de crianças e jovens nestas condições à educação é criar "'gerações perdidas' de analfabetos, ignorantes ou de impreparados", declarou, de acordo com a intervenção escrita que enviou à sessão de abertura por estar a convalescer de uma operação.

O também antigo Alto-Representante da ONU para a Aliança das Civilizações propôs a criação de um fundo académico de solidariedade para garantir o financiamento, de contribuições voluntárias.

Se cada estudante ao fazer a sua inscrição anual doar um euro, um dólar ou uma libra (...) teríamos um montante anual de cerca de 230 milhões - o número de estudantes atual no terciário - para cobrir bolsas de estudo para refugiados e outras populações necessitadas", disse.

O ex-presidente português, responsável pela iniciativa Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, lembrou que nas situações de emergência, criadas por conflitos armados ou desastres naturais, "a educação não é um luxo (...) é um direito e uma obrigação", que está "longe de ser garantido".

A promoção do debate na sociedade portuguesa sobre os direitos humanos é um dos objetivos desta conferência, que vai terminar esta tarde com a assinatura da Declaração de Lisboa.

No documento, os aderentes comprometem-se a promover uma política educativa e a fomentar o debate público em defesa dos direitos humanos e da dignidade humana.