O ministro do Ambiente afirmou esta terça-feira que a cimeira das Nações Unidas dedicada às alterações climáticas, em Nova Iorque, Estados Unidos, é decisiva para evitar novo falhanço como o de Copenhaga e considerou haver «um clima propício» para haver um acordo em 2015.

«Estamos com um clima político propício para que um acordo seja alcançado em dezembro de 2015. Como constou de muitas das intervenções de hoje, esta é a primeira geração a ser afetada pelas alterações climáticas, mas poderá ser a última a estar em condições de agir a tempo de prevenir os efeitos nas próximas gerações», disse Jorge Moreira da Silva.

As intervenções feitas «são de forte comprometimento quanto a uma solução ambiciosa para as alterações climáticas», realçou.

A cimeira da ONU contou com a presença de líderes políticos de vários países como os EUA ou a China, dos maiores emissores de gases com efeito de estufa.

Os responsáveis políticos tentam preparar um acordo global vinculativo contra as mudanças do clima, para assinar em dezembro de 2015, em Paris.

«Esta cimeira é decisiva para que liderança e responsabilidade sejam utilizados de uma forma muito célere até final do próximo ano», defendeu o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia que, na sua intervenção na ONU, se referiu às metas já atingidas por Portugal nas energias renováveis e na redução das emissões de gases com efeito de estufa, mas também ao novo Compromisso para o Crescimento Verde.

«Não nos podemos dar ao luxo de não ter uma decisão vinculativa e ambiciosa» em 2015, e «um segundo falhanço como o de Copenhaga seria interpretado pelos cidadãos como um afastamento da classe política e do setor empresarial em relação às preocupações que têm quanto aos impactos das alterações climáticas» já sentidos, disse.

«Sabemos que se não fizermos nada, já não vamos a tempo de alcançar o limite de aumento da temperatura de dois graus centígrados», disse o ministro.

Para Moreira da Silva, «à medida que novos resultados [científicos] vão saindo que demonstram que as alterações climáticas não são apenas urgentes na sua resolução, mas que podem ter um benefício económico de inovação, emprego e uma nova carteira de atividades, vai se consubstanciando nos líderes políticos a ideia de que já não estamos a falar de um custo, mas de uma responsabilidade que é ao mesmo tempo uma oportunidade».

Os representantes de Portugal foram a Nova Iorque defender a necessidade de um acordo global, «um sucessor do protocolo de Quioto que possa fixar objetivos vinculativos aplicados a todos os países, e não apenas a alguns, de redução e de contenção das reduções para médio e longo prazo, em Paris».

Acerca das interligações elétricas entre os países europeu, principalmente Portugal, o ministro disse que, «se o grande objetivo da União Europeia do mundo em geral é o de promover a aposta nas energias renováveis e reduzir as emissões, a grande discussão não vai estar em saber se se quer cumprir estes objetivos, mas saber como reduzir o custo» do seu cumprimento.

Por isso, «a par da aposta das energias renováveis é preciso fazer uma aposta nas interligações energéticas», defendeu Moreira da Silva.