O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, disse hoje que os três helicópteros Kamov inoperacionais continuam por reparar, estando o processo de manutenção e reparação destas aeronaves a ser investigado pelo Ministério Público.

Na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, Jorge Gomes afirmou que os três helicópteros pesados do Estado “ainda não começaram a ser reparados” e também não foi decidida a forma como o concurso para a reparação se vai realizar.

Jorge Gomes, que esteve no parlamento para explicar aos deputados o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) para este ano, adiantou à agência Lusa que a manutenção e operação dos helicópteros Kamov estão a ser investigadas pelo Ministério Público.

Em janeiro, a Polícia Judiciária realizou uma dezena de buscas em Lisboa, Porto e Portalegre, nomeadamente na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), para obtenção de provas relacionadas com contratos públicos de aquisição e manutenção de aeronaves para combate a incêndios.

Sem adiantar mais pormenores, o secretário de Estado classificou o processo dos Kamov “demasiado complicado” e espera que no próximo ano possa contar, pelo menos, com dois dos helicópteros no combate aos incêndios.

Dos seis helicópteros Kamov da frota do Estado, apenas três estão aptos para voar, estando dois inoperacionais por avaria e outro acidentado desde 2012.

O DECIF deste ano conta com três Kamov estacionados em Braga, Santa Comba Dão e Ferreira do Zêzere, num total de 47 meios aéreos.

Jorge Gomes disse aos deputados que o DECIF de 2015 já não contou com os três helicópteros pesados.

Na comissão, o secretário de Estado avançou também que está a ser repensada a compra dos dois aviões Canadair anunciados pelo anterior Governo através de fundos comunitários, sendo uma questão que vai ser abordada com a União Europeia.

“Ainda não está tomada qualquer decisão”, disse Jorge Gomes, explicando que cada avião Canadair custa 47 milhões de euros e os fundos comunitários para este fim totalizavam os 50 milhões de euros.

Jorge Gomes disse à Lusa que a aquisição por parte de Portugal destes dois aviões anfíbios “não resolvia os problemas dos meios aéreos”, além dos custos.

Segundo o governante, os dois Canadair que estão atualmente alugados para a época de fogos custam 4,5 milhões de euros, estando incluído no valor operação, manutenção, combustíveis e encargos dos pilotos.

O secretário de Estado disse ainda aos deputados que vai propor a Bruxelas que os 50 milhões de euros sejam utilizados para outras áreas da proteção civil.

Os dois ministros da Administração Interna do Governo PSD e CDS/PPP, Miguel Macedo e Anabela Rodrigues, anunciaram várias vezes a compra de dois aviões Canadair.