O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, lamentou esta terça-feira, em comunicado, a morte de Carlos Calvet, sublinhando que «as artes visuais portuguesas perdem um dos seus nomes de referência».

Num comunicado divulgado pelo gabinete do secretário de Estado da Cultura, para exprimir pesar público pelo falecimento do artista, de 86 anos, na segunda-feira, em Lisboa, Jorge Barreto Xavier apresenta as condolências à família.

«Através da sua versatilidade e capacidade de mistura de estilos e tendências, Carlos Calvet contribuiu para uma mudança de paradigma na área das artes visuais em Portugal», sublinha ainda na nota o secretário de Estado.

O funeral do pintor Carlos Calvet, de 86 anos, realiza-se na quarta-feira, às 10:00, para o Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, disse hoje à agência Lusa fonte da família.

O corpo do artista e arquiteto está em câmara ardente desde as 17:00 de hoje na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, segundo a mesma fonte.

Carlos Frederico Calvet nasceu em Lisboa, estudou nas escolas superiores de Belas-Artes de Lisboa e do Porto, onde se licenciou em 1957. Além de arquiteto, foi fotógrafo e artista plástico, com trabalhos em áreas como o cinema e a pintura, serigrafia e gravura.

Carlos Calvet expôs desde 1947, individual e coletivamente, tanto em Portugal como em numerosos países da Europa, América e Ásia.

Próximo do grupo surrealista de Lisboa, em cuja exposição de 1949 participou, a par de Mário Cesariny de Vasconcelos e Cruzeiro Seixas, iniciou a sua produção fotográfica anos depois, em 1956, motivado pela sua formação em arquitetura, que o levou a interessar-se também pelo cinema.

Considerado discípulo de Almada, Carlos Calvet foi um dos nomes mais destacados da arte contemporânea portuguesa, tendo editado na década passada um livro com grande parte da sua obra, intitulado «60 anos de pintura».

Um das últimas aparições públicas de Carlos Calvet aconteceu em novembro do ano passado, na inauguração da Casa da Liberdade Mário Cesariny, em Lisboa, que abriu com uma exposição de pintura e escultura, assim como com o lançamento do primeiro volume de uma antologia poética sobre o surrealismo.

Nessa exposição estiveram obras de vários artistas surrealistas, além de Mário Cesariny, como Carlos Calvet e Cruzeiro Seixas.