O livro de Pedro Prostes da Fonseca, ex-jornalista do «Expresso», «Sol» e Lusa, foi lançado esta sexta-feira e relata a histórica da fuga de Álvaro Cunhal e outros nove dirigentes do Partido Comunista (PCP) da prisão de alta-segurança de Peniche.

Foi debaixo da sua capa que Jorge Alves conduziu os dez responsáveis comunistas às paredes do forte de Peniche, na noite de 3 de janeiro. Um automóvel esperava-os na vila. O agente da GNR ainda acompanhou Cunhal na viagem de carro até casa. Depois, com a ajuda do PCP, Jorge Alves emigrou para a Roménia, onde acabou por morrer em 1968. Mais tarde, a mulher e os filhos juntaram-se ao guarda.

A obra conta factos inéditos da vida de Jorge Alves e da sua família depois da participação num dos maiores golpes à ditadura de Salazar. Segundo o autor, poucos sabem que «o êxito desta fuga se deveu muito mais à iniciativa do soldado do que à organização da operação, que coube ao secretariado do PCP».

Álvaro Cunhal ainda referiu o «corajoso militar que arriscou a liberdade e a vida» num comício do PCP em Peniche, quatro meses depois da queda da ditadura. No entanto, segundo a pesquisa de Pedro Prostes, pouco fez para ajudar a família.

Irene Pimentel, historiadora e autora do prefácio do livro, confessa que se a fuga tivesse falhado «muito teria mudado a história destes homens, do seu partido e do próprio país».