A Câmara de Vila Nova de Famalicão vai homenagear no próximo domingo, dia 18, as mães com mais filhos no concelho, entre as quais se destaca a «Ti Joaquina», que em 22 anos deu à luz 20 filhos.

A distinção, integrada nas comemorações do mês da família, visa contrariar o «inverno demográfico» que assola o concelho que, caso «houvesse muitas senhoras donas Joaquinas, não aconteceria, certamente», admitiu Sofia Fernandes, vereadora com o pelouro da Família na Câmara Municipal local.

Joaquina Abreu, atualmente com 88 anos, teve 20 filhos e enumerá-los um por um já não é tarefa fácil, mas, com maior ou menor dificuldade lembra os nomes do Zé, do Quim, da Lurdes, da Lídia, da Ema, da Maria de Jesus, da Rosa Maria, do Carlos e da Fernanda. Os nomes dos restantes - alguns dos quais já falecidos - também vão surgindo na sua memória, que, reconhece, já não é o que era.

Do que esta «mãe» de Vila Nova de Famalicão se recorda, como se fosse hoje, é da «mãozada» - aperto de mão - que deu àquele que viria a ser o pai dos seus filhos, quando ainda eram namorados. «Um homem viu, eu fiquei cheia de vergonha e a partir daí nem mãozada nem nada», contou.

O primeiro beijo aconteceu apenas depois do casamento, quando Joaquina tinha 18 anos. O primeiro filho nasceu em 1944 e o último em 1966.

Criar tanta gente não foi fácil, sendo que uma «panelinha de sopa» era, quase sempre, o prato que surgia na mesa.

Os aniversariantes tinham normalmente direito a «meio trigo» como prenda, mas os mais felizardos eram ainda contemplados com um ovo.

Para dormir, os filhos tinham um único quarto, onde chegavam a dormir quatro ou mais na mesma cama, «uns para cima, outros para baixo».

«Mas tudo se criou», disse Joaquina, que tem também 13 netos.

Com a homenagem com que vai distinguir as mães do concelho, o Município pretende inverter a atual tendência para baixa natalidade, anunciando, em paralelo alguns incentivos, nomeadamente a nível escolar.