Os dois surfistas de Viana do Castelo que levaram para o tribunal a disputa de uma onda, acusados mutuamente do crime de ofensas à integridade física, chegaram esta segunda-feira a entendimento e decidiram retirar as queixas.

O acordo foi alcançado depois do apelo da juíza titular do processo, cujo julgamento estava hoje na terceira sessão, e que no final admitiu que «seria muito pior para os dois» se o caso tivesse sido resolvido com uma sentença.

«Não percam tempo nem cabeça com coisas que não têm interesse. A conversar é que as pessoas se entendem», disse, no final, a juíza, que nunca escondeu o desconforto por este caso ter chegado a tribunal.

A pedido do tribunal, os dois surfistas encontraram-se a sós, durante a audiência, e ao fim de uma conversa de 40 minutos anunciaram o entendimento, retirando todas as queixas e assumindo, em partes iguais, as restantes custas do processo. Reconheceram ainda a necessidade de se entenderem e assumiram que o caso não deveria ter chegado a tribunal.

«Daqui para a frente tenham outra atitude, têm de se respeitar e, como disse uma testemunha no final do seu testemunho, vocês têm conhecimentos mais do que suficientes de surf para isto não acontecer, nem ter acontecido», afirmou a juíza.

Os factos, segundo a acusação que foi deduzida pelo Ministério Público (MP), remontam à tarde do dia 24 de novembro de 2012, na Praia do Cabedelo, em Viana do Castelo, quando ambos estavam na água, numa zona bastante procurada para a prática de surf.

Envolvia o atual presidente da Surf Clube de Viana, João Zamith, de 38 anos, um dos mais conhecidos surfistas e dirigentes associativos desportivos na região. Do outro lado estava Ricardo Forte, de 37 anos, igualmente um dos mais experientes surfistas do concelho e empresário local.

Dizia a acusação, após queixas apresentadas por ambos, que estes «decidiram apanhar uma onda numa zona muito próxima» e «em sequência diferenciada». Quando Ricardo Forte «deslizava na sua prancha na crista de uma onda» surgiu João Zamith «em sentido contrário, preparando-se para apanhar a referida onda».

«Nesse momento, cada um deles assentou em manter o rumo, sem se desviar, pelo que embateram com as respetivas pranchas um contra o outro», escreve a acusação.

O choque acabou por provocar ferimentos diversos nos dois surfistas, que necessitaram de receber assistência médica, e danos avaliados em 70 euros numa das pranchas. Em terra, ambos envolveram-se ainda numa troca de acusações, com ameaças de parte a parte.

O surfista João Zamith respondia em tribunal por um crime de ofensa à integridade física simples e outro de dano, provocado na prancha do colega Ricardo Forte, que, por sua vez, estava acusado pelo MP do mesmo crime de ofensa à integridade física simples.