Por: Redacção / Andreia Miranda | 29- 6- 2009 9: 42
João Pedro nasceu em Dezembro de 2004 e desde os seis meses que a família luta contra paralisia cerebral e a incapacidade
de 80 por cento que o impede de levar «uma vida mais normal». A esperança de dias melhores está na obtenção de uma cadeira
especial que irá permitir ao jovem com quatro anos crescer, estudar, utilizar o computador ou simplesmente sair de casa. A
atribuição da cadeira de transporte e posicionamento é da competência do Estado, mas até hoje a burocracia e a falta de verbas
da administração central ainda não permitiu que a urgência do caso fosse respeitada.
Helena Grilo, mãe da criança,
explica que a cadeira permite um melhor posicionamento e facilita o transporte da criança, ao contrário da «vulgar cadeira
de bebé».
Este «vulgar carrinho de bebé não se adequa à patologia de paralisia cerebral de 80 por cento de incapacidade
que o João Pedro possui», refere a mãe.
No entanto, a cadeira adequada para o João Pedro continua por chegar. O Hospital
do Barreiro afirma que a cadeira só foi pedida em 2008 e que nesse ano a unidade de saúde não teve verbas para poder resolver
o caso «urgente», adiantou ao tvi24.pt fonte do hospital, que adiantou ainda que o processo transitou para o Centro
de Saúde do Seixal por força do despacho legal que reatribuiu a competência das ajudas a este organismo.
Ao que o
tvi24.pt apurou, o Centro de Saúde do Seixal reencaminhou, mais uma vez, o processo, desta vez para a Segurança Social
de Setúbal que aguarda agora que Helena Grilo entregue os últimos documentos necessários para a atribuição da cadeira. Mas
a espera já vai longa.
«Tetraparésia com distonia»
Segundo Helena Grilo, o João Pedro foi acompanhado,
a partir de 2005, no Hospital Nossa Senhora do Rosário (HNSR), no Barreiro, pela médica fisiatra Isabel Mello que lhe diagnosticou
«tetraparésia com distonia». «Até aos dois anos e onze meses de idade fez duas sessões de 45 minutos de fisioterapia semanais»
por solicitação da médica fisiatra.
«O João Pedro tem 80% de incapacidade, não anda, não fala, mas tem um potencial
cognitivo fantástico», revela a mãe, acrescentando que, após ter iniciado as consultas de Medicina Física e Reabilitação do
HNSR e ter iniciado os tratamentos de fisioterapia, foi-lhe recomendado pelo Hospital, aos 17 meses, que ingressasse na Unidade
de Técnicas Aumentativas e Alternativas da Comunicação da Fundação Calouste Gulbenkian (UTAAC).
No entanto, o HNSR
contradiz a mãe e alega que quando, aos 20 meses, o João Pedro ingressou na UTAAC, «no âmbito do Centro Distrital de Solidariedade
e Segurança Social de Lisboa», teve alta do Hospital, acrescentando que «a criança tem comparecido esporadicamente a consultas
de Medicina Física e Reabilitação no HNSR».
A mãe e o HNSR não chegam a um consenso no que diz respeito à data da
primeira requisição ou quanto às vezes que a cadeira foi requerida. Helena Grilo fala em três vezes (2007, 2008 e 2009) enquanto
o HNSR refere que a cadeira foi requerida «apenas em 03/04/2008 pela médica Dra. Isabel Mello».
UTAAC alerta para
a necessidade da cadeira
Helena Grilo revela ainda que «foram os técnicos da UTAAC que desde cedo começaram a
«exigir» um meio de transporte e de posicionamento eficiente» para João Pedro, de forma a ser possível ajudar a «desenvolver
o seu potencial».
No entanto, nenhuma das cadeiras que foram prescritas pela fisiatra Isabel Melo foram entregues à criança.
O HNSR queixa-se de verbas insuficientes por causa «do aumento crescente das necessidades em ajudas técnicas por parte da
população da área de influência do Hospital (Concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete)».
Para o HNSR este
factor «impediu que este pedido fosse satisfeito em 2008 directamente pelo HNSR», referindo que em 2008 foi atribuída uma
verba de 53 mil euros para ajudas técnicas.
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