Notícia atualizada às 11:30

O único sobrevivente da tragédia do Meco, o dux João Gouveia, já foi ouvido pela Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal, a quem negou qualquer praxe e manteve a primeira versão dos acontecimentos. A notícia é avançada pelo «Correio da Manhã» (CM).

De acordo com o jornal, João Gouveia esteve anteontem de manhã no Tribunal de Almada. Disse que tudo não passou de um acidente e que as seis vítimas foram arrastadas por uma onda de grandes dimensões.

João Gouveia disse que foram à praia naquela noite para conviver e negou ter obrigado qualquer uma das vítimas a entrar no mar durante um ritual de praxe.

A Polícia Judiciária deverá agora proceder a uma reconstituição do que se passou naquela noite. A diligência, que deve ocorrer em breve, servirá também para o estudante mostrar a efetiva posição dos colegas quando aconteceu a tragédia. Uma oportunidade para os investigadores testarem a veracidade da versão de João Gouveia.

Esta quinta-feira, duas colegas de Joana Barroso, uma das vítimas, mostram que a aluna sabia que ia ser sujeita a uma praxe. A TVI revelou dois SMS trocados entre Joana Barroso e as duas amigas, confirmam um fim-de-semana do MPC (Conselho Máximo das Praxes) e que a praxe seria feita pelo dux e diversos honoris dux.

Corpos sem fita adesiva

De acordo com a edição desta sexta-feira do jornal «Sol», os peritos de Medicina Legal não encontraram nos cadáveres das seis vítimas quaisquer vestígios de pés e mãos atados. De acordo com os familiares,

testemunhas que tinham visto o último corpo a ser resgatado do mar relatavam vestígios de fita adesiva nos tornozelos e haveria até fotografias disso.

O semanário cita agora fonte do Instituto de Medicina Legal para adiantar que não há vestígios de fita adesiva ou de pés ou mãos amarrados, quando foram engolidos pelas ondas, na noite da tragédia. Muito menos no corpo de Pedro Negrão, o último a ser resgatado do mar. «O corpo estava em avançado estado de decomposição e irreconhecível», adianta a referida fonte ao «Sol».

«Mal se conseguia perceber qual era o sexo», acrescenta.

As conclusões da autópsia ao primeiro cadáver a ser retirado do mar foram já enviadas ao procurador da República de Almada, que tutela a investigação. Desse relatório fazem parte os testes a eventual presença de álcool e drogas, que só foram possíveis realizar nesse corpo, dado o avançado estado de decomposição dos restantes.