O julgamento do alegado homicida de João Esteves, um português que morreu apenas quatro dias após chegar a Londres em busca de emprego, começa na segunda-feira no tribunal criminal de Lewes, no sul de Inglaterra.

Daniel Palmer, de 23 anos, foi detido poucas horas depois da morte do português, a 19 de janeiro, na sequência de agressões físicas em Crawley, a cerca de 50 quilómetros de Londres.

Dias mais tarde foi acusado formalmente da morte do cidadão português, enquanto três outros suspeitos, dois homens e uma mulher, também residentes locais, foram ilibados e libertados.

O julgamento tentará esclarecer as circunstâncias da morte de João Esteves, de 45 anos e natural da região de Lisboa, que tinha chegado de avião a Londres apenas quatro dias antes, a 15 de janeiro.

Segundo apurou a polícia inglesa, a vítima voltou ao aeroporto dois dias depois, onde dormiu enquanto procurava uma forma de pagar um bilhete de regresso.

Na segunda noite, agentes da polícia e funcionários de Gatwick terão sugerido que se dirigisse à Crawley Open House, instituição que dá apoio a pessoas sem-abrigo.

Porém, esta ter-lhe-á recusado guarida por já não ter camas disponíveis quando João Esteves chegou, pouco depois das 22:00 horas.

Segundo a polícia do condado de Sussex, os funcionários da organização de solidariedade deram ao português uma bebida quente, comida e agasalhos e aconselharam-no a permanecer do lado de fora do portão até à hora de reabertura do centro, na manhã seguinte.

O português foi encontrado inconsciente pela polícia poucas horas mais tarde, às 03:25 horas de domingo, num beco próximo.

Ainda foi assistido por paramédicos antes de ser transferido para o Royal Sussex County Hospital em Brighton, mas acabou por morrer, tendo a autópsia confirmado a morte por ferimentos graves na cabeça.

Num depoimento publicado na altura pela polícia de Sussex, a irmã contou que João Esteves, que estava desempregado e vivia com a mãe, tinha viajado para a capital britânica à procura de trabalho.

«Ele não era um arruaceiro e nunca lutou com ninguém. Ele evitaria o confronto e não era um homem violento», garantiu Margarida Esteves.