O inspetor da Polícia Judiciária de Setúbal, João de Sousa, em prisão preventiva, é um dos 30 arguidos acusados de uma fraude de 6,6 milhões de euros no negócio do ouro, revelou esta sexta-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

O Ministério Público decidiu acusar os suspeitos, cinco dos quais em prisão preventiva, da prática de diversos crimes: associação criminosa, branqueamento, fraude fiscal qualificada, corrupção ativa, recetação, falsificação e detenção de arma proibida.

Entre os 30 arguidos, além do inspetor da judiciária, está o então presidente da Associação de Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul (ACORS), Paulo Martinho, também ele a aguardar o julgamento em prisão preventiva.

De acordo com a PGDL, o grupo adquiria peças em ouro através de lojas próprias, e de fornecedores espalhados pela zona da Grande Lisboa e Alentejo, sem proceder à respetiva declaração fiscal e à comunicação, obrigatória, à Polícia Judiciária.

As peças de ouro eram depois fundidas e transformadas em barras, que eram transportadas de avião pelos arguidos e vendidas na cidade de Antuérpia, na Bélgica. Mais tarde, o grupo decidiu fazer o transporte de barras em ouro através de uma empresa especializada, por questões de segurança.

Segundo revela a PGDL, a organização terá vendido mais 1.600 quilos de barras de ouro na Bélgica, o que representa mais de 61,9 milhões de euros, e o valor da fraude está calculado em 6,6 milhões de euros.

O grupo foi desmantelado em março do ano passado, apesar de a investigação da Polícia Judiciária de Setúbal já decorrer há mais de um ano.

De acordo com a PGDL, os valores apreendidos em dinheiro (euros e moeda estrangeira), ouro, prata e diamantes, automóveis, barcos de recreio, ascendem a mais de 3,5 milhões de euros, como escreve a Lusa.