O advogado de José Sócrates, João Araújo, contou, esta segunda-feira, à TVI que o cliente o recebeu «sorridente» no Estabelecimento Prisional de Évora e assegura que o antigo primeiro-ministro lhe apresentou uma «perspetiva otimista» da recusa do habeas corpus pelo Supremo Tribunal de Justiça.
 

«Não precisei de lhe contar, porque ele já sabia».

 
João Araújo admite que o estado de ânimo com que viajou, esta segunda-feira, para Évora, não era o melhor: «A pior coisa que pode acontecer a um advogado é dizer a um cliente que o habeas corpus foi à vida. “Perdemos”. Ou melhor: “perdi”». Mas sublinha que José Sócrates o motivou.
 

«Chegou todo sorridente, zangou-se muito comigo por eu estar chateado. E disse: “não, isso foi muito bom e vou-lhe mostrar porque é que isso é muito bom”. E efetivamente, deu-me uma perspetiva otimista do resultado e ele tem razão», disse João Araújo, no Jornal das 8 da TVI.

 

«Sou só um advogado»

 
Na mesma entrevista, conduzida por José Alberto de Carvalho, João Araújo explicou as recentes polémicas na relação com a comunicação social. Esta segunda-feira, o advogado insultou uma jornalista do «Correio da Manhã», mandando-a «tomar mais banhos», porque «cheira mal». Mais tarde, à porta do Estabelecimento Prisional de Évora, dirigiu também palavras mais duras a um jornalista da TVI.
 
«Tenho sempre uma boa relação com as pessoas, desde que se portem bem», começou por dizer.  
 
«O José alberto de Carvalho não imagina a carga brutal que é estar a alegar, ainda que seja só durante 20 minutos», justificou.
 

«Há uma senhora que é do Correio da Manhã, que tem mau aspeto. (…) Um jornal, uma televisão que se detém sistematicamente a assassinar o carácter de um homem. Para essa gente, não tenho paciência nenhuma», reforçou.

 

«Sou só um advogado. Isso não me transforma. Não tenho, em relação aos senhores jornalistas, qualquer obrigação de isenção», acrescentou.

 

«Temos o mundo à nossa espera»

 
O advogado de José Sócrates adiantou, sem especificar, quais podem ser os próximos passos da defesa do antigo primeiro-ministro: «Podemos recorrer para o Tribunal Constitucional, podemos recorrer para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem… Enfim, temos o mundo à nossa espera».
 
Sobre os alegados novos factos que surgiram no processo, João Araújo sublinha que «não são novos e que José Sócrates ainda não foi confrontado com eles». «Enquanto não o confrontarem parece-me pouco leal estar a dar esses factos como assentes», considerou.
 
O advogado conta que a Defesa já foi confrontada com esses factos e pediu «lhes fossem fornecidos elementos». O juiz acedeu e disponibilizou fotocópias de «alguns elementos» na secretaria do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).  
 
«Aí vai o Galego para o DCIAP consultar os elementos, mas as fotocópias não podem ser levadas, têm de ser consultadas na secretaria do DCIAP. As pessoas da secretaria do DCIAP são muito simpáticas, mas imagina o que é passar à mão os elementos que interessam?», contou.