A Procuradora-Geral da República escusou-se a avançar com uma data para a conclusão da investigação da Operação Marquês, que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates, antecipando que "na altura própria" os jornalistas serão informados.

No final de uma visita na qual acompanhou o Presidente da República ao DCIAP, Joana Marques Vidal foi questionada pelos jornalistas sobre a data da conclusão do inquérito da Operação Marquês, cuja data de 15 de setembro foi o prazo limite indicado pela Procuradoria-Geral da República, mas que Amadeu Guerra, diretor do DCIAP, em entrevista à SIC, em finais de julho, disse que não garantia que fosse cumprido.

Os senhores jornalistas serão informados na altura própria sobre essa matéria", respondeu Joana Marques Vidal.

Perante a insistência dos jornalistas, a Procuradora-Geral da República não acrescentou nada mais e disse apenas: "Terão acesso a toda a informação no momento em que se entender que é o momento adequado para dar a informação que tivermos disponível para vos dar".

Joana Marques Vidal afirmou que "há equipas de magistrados no DCIAP, como aliás há noutros departamentos, que estão em exclusividade na investigação de processos mais complexos".

"Eu penso que nós, o Ministério Público, podemos e devemos, apostar na celeridade da investigação criminal aprofundada dos processos mais importantes da forma que consideramos mais relevante", respondeu.

A data de 15 de setembro foi o prazo limite imposto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para a conclusão da investigação (com acusação ou arquivamento) da Operação Marquês, que tem José Sócrates como principal arguido.

Contudo, Amadeu Guerra, diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em entrevista à SIC, em finais de julho, disse que não garantia que o prazo fosse cumprido.

Tal afirmação coincidiu com informações de que os investigadores da Operação Marquês realizaram buscas na PT, no encalço de novas pistas sobre os negócios desta empresa no Brasil, depois de terem centrado atenções na alegada interferência de José Sócrates na aprovação do empreendimento turístico de Vale do Lobo, Loulé, Algarve.

Inconformado com o atraso na conclusão do inquérito em que é arguido, o antigo primeiro-ministro anunciou que ia processar o Estado português pela forma como está ser tratado pelo DCIAP, desde que foi detido em novembro de 2014.