O ex-camionista e um dos líderes do bloqueio da Ponte 25 de Abril, em 1994, negou hoje em tribunal ter falsificado documentos, desmentindo também ter fugido à polícia horas antes de ter sido detido, no Algarve, há um ano.

Jaime Pinto, que começou hoje a ser julgado no Tribunal de Loulé por falsificação de documentos e posse de arma proibida, está detido desde janeiro de 2013, em Lisboa, depois de já ter sido detido em 2000 por, alegadamente, liderar com o irmão uma rede de tráfico de droga.

Apesar de não estar pronunciado por esse crime, no mesmo processo estão também a ser julgados cinco cidadãos marroquinos, acusados de tráfico de droga, a quem Jaime Pinto arrendou uma moradia, entre dezembro de 2012 e março de 2013, no condomínio «Millenium Golf Residence», em Vilamoura.

Aquando da sua detenção no Algarve, a Polícia Judiciária fez buscas à sua casa e a um carro, onde encontrou, na bagageira, junto ao pneu suplente, um Bilhete de Identidade e uma carta de condução com a fotografia de Jaime Pinto, mas com o nome de António Casanova.

Durante a audiência, o arguido negou estar envolvido no processo de falsificação dos documentos, alegando que não forneceu as fotografias e que foi um amigo em comum com António Casanova que lhe deixou os documentos numa gaveta do quarto de hospital onde esteve internado, em 2010, no Algarve.

Argumentando que quem colocou os documentos no carro foi a sua mulher, a quem o veículo pertence, Jaime Pinto frisou que a letra da assinatura não é a sua e que nunca usou aqueles documentos, acrescentando que o amigo Amílcar Santos tinha fácil acesso a fotografias suas.

Segundo o arguido, Amílcar Santos terá deixado os documentos no hospital - onde esteve internado por estar «gravemente doente» -, antes de ter partido para o Brasil, onde ainda se encontra.

Jaime Pinto alegou ainda que a sua carta de condução é espanhola e negou ter-se dirigido às entidades competentes para pedir a substituição do documento.

Na busca que fez à residência do arguido, a PJ encontrou ainda uma espingarda caçadeira e 50 munições, registada em nome de Rui Caetano.

Segundo Jaime Pinto, trata-se de um colega de uma agência imobiliária que também faz tiro desportivo e que lhe emprestou a arma por uns dias pois ele estava interessado em adquiri-la.

Jaime Pinto já tinha sido detido em 2000 por, alegadamente, liderar com o irmão uma rede de tráfico de droga.

Em 2003 começou a ser julgado e em 2005 foi condenado, mas ficou em liberdade à espera do resultado dos recursos, que terminaram em 2009, quando a sentença terá transitado em julgado.

Contudo, Jaime Pinto não se apresentou para cumprir a pena.

A segunda sessão do julgamento está marcada para quinta-feira, às 10:00, no Tribunal de Loulé.