Um medalhão do século XVI em barro vidrado, proveniente da coleção do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, foi incluído numa grande exposição dedicada a Leonardo Da Vinci que está patente em Milão, na Itália.

Fonte do MNAA disse à agência Lusa que o medalhão, que representa Dario, o rei dos Persas, foi cedido para participar na exposição que inaugurou esta semana no Palazzo Reale, em Milão, e que ficará patente até 19 de julho.

Intitulada «Leonardo Da Vinci - 1432-1519», trata-se da maior exposição monográfica dedicada a um dos criadores mais geniais da Renascença, nas áreas da pintura, escultura, engenharia, anatomia e da música.

Promovida pela câmara municipal de Milão e pela editora de livros de arte Skira, esta exposição monográfica é a maior realizada em Itália até hoje.

É composta por vários núcleos, que reúnem uma centena de desenhos autografados por Leonardo, e um grande número de manuscritos, esculturas e livros ilustrados provenientes de vários museus de todo o mundo.

Contactada pela agência Lusa, Maria João Vilhena, conservadora do MNAA, indicou que o medalhão cedido pelo museu português para a exposição de Da Vinci tem cerca de 70 centímetros, é datado de 1501-1525, e foi criado pelo artista Andrea Della Robbia.

«Pertenceu originariamente ao Mosteiro da Madre de Deus em Lisboa, onde até ao século XIX esteve aplicado na fachada Sul, tal como documenta a iconografia do mosteiro. Teria a par outro medalhão com a representação de Alexandre o Grande, constituindo assim um par de homens ilustres da Antiguidade», indicou a conservadora sobre a origem da peça.

No Mosteiro da Madre de Deus, fundado pela rainha D. Leonor, mulher de D. João II, existiram outras obras em escultura cerâmica encomendadas em oficinas de Florença durante o Renascimento, algumas das quais se conservam também no MNAA e no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa.

Este medalhão, explicou a conservadora à Lusa, «tem já algum um historial de presenças em grandes exposições internacionais, desde o fim do século XIX».

A obra pertenceu ao rei D. Fernando II, e estava colocada na Biblioteca real, no Palácio das Necessidades, tendo entrado na coleção do MNAA a seguir à implantação da República, em 1910.