O Instituto Superior Técnico (IST) quer que o Governo devolva 2,21 milhões de euros «cortados a mais» à instituição, defendendo que «se estes cortes se mantiverem, o IST entrará em risco» e «não poderá cumprir a sua missão».

A moção de Assembleia de Escola do IST, aprovada a 17 de dezembro, relembra os cortes orçamentais que a instituição tem sofrido nos últimos anos, sobretudo por via de cortes salariais no âmbito dos cortes a toda a administração pública, e cativações de verbas próprias, sublinhando que, quando o Tribunal Constitucional decidiu pela inconstitucionalidade do corte dos subsídios, o que foi devolvido pelo executivo não chegava para compensar o que tinha sido cortado ao orçamento da instituição quando se previa que os subsídios de férias e Natal não seriam pagos.

O IST defende que os cortes salariais previstos no Orçamento do Estado para 2014 deveriam retirar à universidade 2,25 milhões de euros e não 4,46 milhões de euros, como foi orçamentado, e exige «a reposição de um montante de 2,21 milhões de euros».

O IST declara ainda que «não se conforma» com a explicação apresentada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, numa reunião com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), durante a qual afirmou que os cortes em excesso se deviam à incapacidade do Ministério das Finanças para calcular com exatidão o valor dos cortes a aplicar nas universidades, até porque, sublinha a moção, o mesmo ministério não teve qualquer problema semelhante quando foi preciso aplicar cortes salariais em 2011.

O IST «considera imperativo» que «o poder político respeite escrupulosamente a autonomia das instituições do ensino superior público», e defende que, «ao invés de serem colocadas em risco de insolvência financeira e de verem ameaçada a qualidade da sua atividade, [as universidades] devem ser apoiadas pelo poder político - Governo e Assembleia da República», como cita a Lusa.

A universidade alerta ainda para as dificuldades que as restrições orçamentais têm colocado à renovação do pessoal, sobretudo o corpo docente, e frisa que tem ajustado a sua atividade aos cortes orçamentais, adiando investimentos e manutenção de instalações e reduzindo o acesso a edifícios em certas épocas de menor atividade.

O IST é uma das universidades integradas na nova Universidade de Lisboa, e centra-se no ensino e investigação nas áreas de engenharia, ciência e tecnologia.