O Conselho Superior de Magistratura abriu um inquérito ao juiz que chumbou a candidatura autárquica de Isaltino Morais, em Oeiras. A informação foi revelada pelo próprio órgão de Justiça, em comunicado. 

Segundo a nota de imprensa, o inquérito foi instaurado depois das declarações do ex-autarca que davam conta que decisão do juiz poderia estar relacionada com relação de amizade com o atual presidente da Câmara de Oeiras e também candidato, Paulo Vistas, que será padrinho de casamento do magistrado. 

"Face a notícias veiculadas na comunicação social sobre alegada relação de proximidade entre o juiz que apreciou parte do processo eleitoral relativo às autarquias locais de Oeiras e um candidato a essas eleições, informa-se que o CSM determinou a abertura de um inquérito, para cabal apuramento da situação", lê-se no comunicado.

Em conferência de imprensa na terça-feira à noite, Isaltino Morais confirmou que já foi notificado pelo Tribunal e garantiu que cumpriu a lei e, por isso, vai recorrer.

Paulo Vistas foi seu vice-presidente e venceu as últimas eleições autárquicas de 2013 pelo movimento "Isaltino, Oeiras Mais À Frente". O atual presidente da Câmara "abandonou" Isaltino e vai recandidatar-se nas próximas eleições pelo movimento "Independentes, Oeiras Mais À Frente".

As 31.000 assinaturas recolhidas pelo candidato do movimento "Isaltino - Inovar Oeiras de Volta" foram entregues na semana passada, mas um despacho do juiz Nuno Cardoso refere que não estão devidamente identificados os candidatos apresentados na lista.

O antigo presidente da Câmara de Oeiras pretende recandidatar-se à presidência do município nas eleições autárquicas de 1 outubro como independente.

Isaltino, que esteve à frente da Câmara de Oeiras durante mais de duas décadas (primeiro pelo PSD e depois como independente), abandonou o executivo quando foi detido, a 24 de abril de 2013, para cumprir dois anos de pena de prisão, por fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Um ano depois, a 24 de junho de 2014, Isaltino Morais saiu em liberdade condicional para cumprir o resto da pena em casa e, em 2015, publicou um livro a contar a sua experiência na prisão, excluindo a possibilidade de regressar à vida política.