Os passageiros que viajam sem pagar custam oito milhões e meio de euros por ano às empresas públicas de transportes da capital. A TVI revela o resultado de uma grande inspeção da Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa (AMTL). Em alguns autocarros e elétricos, um terço dos passageiros viaja sem pagar.

O 15 é um elétrico moderno, que oferece uma viagem à beira-rio entre Algés e a Praça da Figueira. Uma delícia para os turistas, mas também para os penduras. Os penduras do século XXI são de todas as idades e andam por dentro. Um terço dos passageiros do 15 não valida o bilhete.

A AMTL calcula 97 mil passageiros em fraude por mês só neste eléctrico, causando 25 mil euros de prejuízo à Carris.

Há mais duas carreiras a transportar de borla um terço dos passageiros: 53 mil por mês no autocarro 794, entre o Terreiro do Paço e a Estação do Oriente; 44 mil no 793 que liga o Areeiro a Marvila.

A taxa de fraude na Carris é cinco vezes maior do que nas transportadoras privadas da Grande Lisboa, isto é, 15 contra três por cento.

O prejuízo da empresa com tanto pendura é colossal. Cinco milhões de euros por ano de receitas perdidas, que, depois, é preciso recuperar nos impostos e no preço dos bilhetes dos passageiros que pagam.

Nas linhas metropolitanas da CP a fiscalização é maior, mas mesmo assim a fraude representa dois milhões e meio de euros por ano.

No Metro é mais difícil andar sem pagar, porque é uma rede fechada. É preciso passar torniquetes para entrar e sair, no entanto, há os «profissionais» que entram colados a outros passageiros, sobretudo nos canais para deficientes, que ficam abertos mais tempo. Prejuízo? Um milhão de euros por ano.

O Governo garante que este clima de impunidade vai acabar e prepara um ataque à fraude nos transportes da Grande Lisboa. Com o reforço da fiscalização e tentando convencer, à segunda tentativa, a Autoridade Tributária a cobrar coercivamente as multas, como já acontece com as portagens.

É que já há penduras a gozar com o sistema. Quando são apanhados pelos fiscais, dão como morada o endereço do próprio Instituto dos Transportes.