A Quercus revelou esta sexta-feira ter a confirmação da presença da vespa-asiática na cidade do Porto, exigindo ao Governo que o plano de ação contra esta espécie exótica e invasora seja «efetivamente aplicado com urgência».

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Quercus, João Branco, afirmou que foram observados «indivíduos, mas não ninhos, no Jardim Botânico do Porto» por um entomólogo consultor da associação.

«O Governo tenta minimizar a situação, afirmando que se trata de uma praga que existe apenas na região de Entre Douro e Minho, mas a Quercus tem a confirmação da sua ocorrência na cidade do Porto e teme que rapidamente se propague a outras regiões do país», alertou a associação, em comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo João Branco, «tem de haver um plano de ação que garanta um combate eficaz», porque o que existe «depende das pessoas, ou seja, só após comunicação da existência de ninhos é que a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) atua».

«Isto não chega, é preciso que haja uma busca sistemática dos ninhos da vespa-asiática e sua posterior destruição», defendeu.

O ambientalista recordou que a introdução fortuita ou intencional de espécies exóticas e invasoras «foi considerada uma das principais causas da perda da biodiversidade e de degradação dos serviços de ecossistemas em toda a União Europeia e no mundo».

«O custo económico das espécies exóticas e invasoras é estimado em pelo menos 12 mil milhões de euros por ano na União Europeia», sustentou, acrescentando que a vespa-asiática «está em expansão há vários anos» provocando prejuízos na atividade apícola e na perda da biodiversidade, ao reduzir o número de polinizadores.

Para João Branco, «não tem lógica» o Estado «estar a distribuir milhões para a apicultura (através de fundos comunitários) e não combater esta praga», podendo estar-se perante «um investimento perdido».

O ambientalista destacou ainda ser desconhecido o impacto que a vespa-asiática tem nos outros insetos polinizadores, porque «apenas se sabe que ataca abelhas».

Na luta contra esta praga, «muitos apicultores acabam por combater todas as vespas, indiscriminadamente, e há vespas autóctones que combatem a vespa-asiática», acrescentou.

No comunicado, a Quercus adianta estar a preparar uma campanha pública sobre a proteção dos polinizadores que visa, entre outros objetivos, «alertar para os perigos que a introdução de espécies exóticas pode ter nos ecossistemas, dando destaque a uma campanha urgente de informação relativa à vespa-asiática» e «sensibilizar os agricultores, em particular, e a opinião pública, em geral, para os perigos do mau uso dos pesticidas na saúde pública e no desaparecimento dos polinizadores».

O responsável da Quercus chamou ainda a atenção para outras espécies exóticas e invasoras que ameaçam a produção de frutos pequenos (mirtilos, morangos, framboesas e cerejas) e a produção de castanha, a mosca Drosophilasusukii e a vespa do castanheiro Dryocosmus, respetivamente, para as quais é preciso estar alerta.