Os superalimentos, caraterizados pela concentração de nutrientes, são cada vez mais vendidos em Portugal até porque são procurados como indicação terapêutica para prevenir cancro e doenças degenerativas ou problemas como o colesterol e a obesidade.

Contactados pela agência Lusa, alguns pontos de venda deste tipo de alimentos avançaram que o aumento de vendas ronda os 30% e, em alguns casos, o valor obtido no primeiro semestre deste ano duplicou em comparação ao mesmo período do ano passado.

Miguel Monteiro, gestor de rede dos supermercados biológicos Brio, faz parte do grupo que registou aproximadamente 30% de crescimento de vendas deste tipo de produtos.

«Os mais vendidos são as sementes de chia, a maca e as bagas goji», disse, acrescentando que, ultimamente, «têm aparecido mais marcas de superalimentos em virtude de ser um mercado em expansão a nível nacional».

A marca «Iswari», que vende apenas este tipo de produtos, quer numa rede de supermercados de comida saudável quer pela internet, apresenta a mesma lista dos superalimentos mais vendidos, mas acrescenta a spirulina e o açaí.

Segundo o presidente da «Iswari», Gonçalo Sardinha, a empresa «duplicou [este ano] as vendas em Portugal em relação ao primeiro semestre de 2013», o que justifica pelo facto de se tratar de alimentos «considerados exóticos» e por «terem propriedades extraordinárias».

Mas para muitos dos consumidores, a razão para comprarem superalimentos está mais relacionada com os benefícios para a saúde.

A maioria dos superalimentos são ricos em ómega 3, proteína e energia, e podem ser consumidos pela maioria das pessoas, visto serem alimentos naturais, salvo em caso de alergia a um determinado componente.

«A elevada concentração de nutrientes em pouco volume» é o que distingue os superalimentos de um alimento «apenas» saudável, explicou a nutricionista Ana Bravo.

No entanto, o consumo de uma grande quantidade de superalimentos em simultâneo pode ser prejudicial pois «um alimento que tem muitas vitaminas, associado a uma alimentação rica em nutrientes, pode provocar hipervitaminose», alertou.

Por isso, defendeu a nutricionista, é preciso que seja respeitada «a ingestão das doses recomendadas nas embalagens».

Para a farmacêutica Margarida Duarte, que dirige o departamento de marketing da recém-criada marca de superalimentos «Fold», a razão do sucesso de vendas baseia-se na vontade de preveir doenças de forma natural.

«O mix ómega [mistura de sementes de linhaça, cânhamo e chia] ajuda a baixar o colesterol devido à fibra e aos ácidos gordos essenciais», exemplificou Margarida Duarte, acrescentando que as bagas goji ajudam a prevenir as doenças degenerativas e o açaí combate as células cancerígenas.

Neste caso, as vendas são feitas on-line mas também em farmácias, já que o consumo de superalimentos deve ser aconselhado antes da sua compra.

«Alguém que come açaí de forma regular irá ter o sistema imunitário reforçado e, por isso, na farmácia pode ter uma indicação do superalimento adequado a esse caso», como escreve a Lusa.