Os casos de gripe estão a entupir as urgências de muitos hospitais do país e o tempo de espera atinge as dez ou mais horas para os doentes.

Atrasos devem-se a «fusão dos serviços de urgência»

Há serviços que estão a registar a admissão de mais de 500 pessoas por dia e a situação é de rutura. As macas enchem os corredores e há serviços onde a taxa de internamento é de 200%. Faltam médicos e enfermeiros e não está a existir resposta por parte dos centros de saúde, também eles alvo de cortes no pessoal.

Médicos e sindicatos falam de um retrocesso de 20 anos. «Estamos a ter uma rutura das urgências como não se via há 20 anos. As equipas são diminutas e não há capacidade de resposta. É o descalabro visível da política desastrosa, mas dissimulada do ministério», acusa Mário Jorge Neves, da Federação Nacional dos Médicos, ouvido pelo «Diário de Notícias».

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, concorda: «Estamos pior do que há dez anos. As equipas estão a funcionar com pessoas abaixo dos mínimos para cortar na despesa com recursos humanos. Não só nos médicos, também nos enfermeiros e auxiliares».

A situação tem sido mais visível nas últimas semanas graças às notícias que dão conta de números elevados do tempo de espera nas urgências de vários hospitais. «Se houver um agravamento das temperaturas e da gripe, vai ser o descalabro», avisa o dirigente da FNAM.

O ministério da Saúde garante que está «a acompanhar a situação» e admite um pico da procura, mas garante que nenhum hospital deu ainda «alerta de rutura».



Atividade gripal «moderada» na primeira semana do ano

A atividade gripal em Portugal foi «moderada» na primeira semana deste ano, tendo conduzido a seis casos de admissão em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) nos hospitais que reportam informação para a vigilância epidemiológica da gripe.

De acordo com o Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, na primeira semana do ano (entre 30 de dezembro de 2013 e 05 de janeiro deste ano), a proporção de doentes admitidos em UCI foi de 7,2 por cento, «superior ao valor estimado na semana anterior».

A taxa de incidência da síndrome gripal foi, neste período, de 47,9 casos por cada cem mil habitantes.

A mortalidade por «todas as causas» registada foi a esperada, adianta o Boletim.