O presidente do Conselho de Reitores voltou, esta sexta-feira, a avisar o Governo de que «as universidades portuguesas estão atualmente no meio de uma tempestade», alertando para as «consequências gravíssimas» da imposição de mais contenção no ensino superior.

«As universidades portuguesas estão atualmente no meio de uma tempestade, porque sentem que a sua autonomia é todos os dias posta em causa por razões que não compreendem. Impor mais contenção a quem já é contido, pode ter consequências gravíssimas que todos queremos evitar», afirmou António Rendas, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), durante a cerimónia de assinatura de um protocolo da instituição com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), tendo em vista a internacionalização das universidades portuguesas.

Em novembro, Rendas anunciou um inédito corte de relações do CRUP com o Governo, adiantando ainda, na mesma altura, a sua demissão do cargo de presidente do conselho, estando na base da decisão os cortes orçamentais impostos pelo Governo e considerados insustentáveis.

Depois de um voto de confiança dos reitores, Rendas decidiu prosseguir no cargo até março deste ano, pelo menos, mas mantém as críticas aos cortes no financiamento.

Com o ministro da Educação, Nuno Crato, a seu lado, Rendas frisou que «o desafio da internacionalização do ensino superior português precisa de instituições saudáveis», e indicou que a captação de alunos estrangeiros em Portugal está ainda assente na partilha da língua, referindo que 25,5% dos estudantes internacionais em Portugal são brasileiros, mas que representam apenas 0,7% da população estudantil universitária do país.

O presidente do CRUP insistiu, por isso, e no âmbito do protocolo hoje assinado, que a aprovação do Estatuto do Estudante Internacional, «que deverá ir a Conselho de Ministros em breve», de acordo com indicações dadas pelo secretário de Estado do Ensino Superior, será um instrumento «muito importante para as universidades portuguesas», até porque, acrescentou Rendas, «vai permitir criar o concurso nacional de acesso, para esses mesmos estudantes».

O protocolo assinado pelos reitores das universidades portuguesas e pela AICEP, no Teatro Thalia, no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, pretende, de acordo com o presidente da agência para o investimento, Pedro Reis, posicionar as universidades no exterior, de forma a captar mais alunos para licenciaturas, mestrados e doutoramentos, estabelecer parcerias com universidades estrangeiras, «trabalhar em conjunto a oferta de serviços» e, sobretudo, aproximar universidades e empresas, para o desenvolvimento de serviços e produtos inovadores.

«As universidades portuguesas, apesar de terem essa competência técnica, sentem que ainda não têm quota de mercado internacional», afirmou Pedro Reis.

Um dos objetivos já estabelecidos é organizar viagens promocionais para as universidades portuguesas, permitindo dar a conhecer o trabalho académico realizado em Portugal, e captar alunos, docentes e investigadores estrangeiros, mantendo sempre uma perspetiva de intercâmbio com os pares portugueses.

Para já, e de acordo com as indicações dadas pelas próprias universidades, Alemanha e América Latina são os mercados preferenciais para uma aposta inicial, a arrancar já em 2014.

Ao Ministério do Desenvolvimento Regional e ao Ministério da Educação e Ciência caberá, disse Pedro Reis, «definir a grande estratégia em termos de fundos comunitários», tendo sobretudo em conta o quadro de apoio da União Europeia até 2020, Horizonte 2020, para apoiar a investigação e a inovação.

«A AICEP, como organismo técnico, aplicará esses fundos para apoiar as universidades», observou Pedro Reis, que admitiu que este protocolo pode vir a ser alargado a politécnicos e instituições privadas.