Numa lógica de gestão e contenção de custos, são cada vez mais as universidades portuguesas que optam por encerrar total ou parcialmente em agosto, havendo instituições que com apenas uma semana de paragem esperam poupanças de 200 mil euros.

O cenário de encerramento parcial, ou funcionamento em serviços mínimos, é o modelo de paragem mais adotado pelas universidades contactadas pela Lusa, mas este ano, numa decisão inédita, a Universidade do Porto decidiu encerrar reitoria, faculdades e serviços, uma paralisação total entre 19 e 23 de agosto, num «projeto-piloto» que pretende minorar os cortes de financiamento do Estado.

José Branco, administrador da instituição, revelou que o objetivo é poupar «entre 100 e 200 mil euros», e «racionalizar custos» em energia, segurança e limpeza, facilitando também a gestão de pessoal.

«Há uma concorrência grande pelo mesmo período de férias e assim facilitamos a vida das pessoas», disse.

A UPorto teve nos últimos anos «cortes acumulados de quase 30%», o que é «um valor brutal», correspondente a «menos seis a oito milhões de euros», sublinhou, acrescentando que a iniciativa inédita será alvo de análise para, «no próximo ano, tomar uma decisão mais definitiva», mas que já está previsto que este modelo volte a ser posto em prática ainda este ano, na semana do Natal.

Na nova Universidade de Lisboa, que fundiu a Clássica com a Técnica, apenas o Instituto Superior Técnico vai funcionar em «atividade reduzida» durante duas semanas, ou seja, explicou a vice-presidente Isabel Ribeiro à Lusa, apenas os edifícios onde funcionam serviços centrais vão estar abertos, mas em regime de «serviços mínimos», com apenas uma pessoa a trabalhar.

As estimativas de poupança, adiantou a vice-presidente do IST, rondam os 80 mil euros, o mesmo valor do ano anterior.

Isabel Ribeiro sublinhou, no entanto, que alunos, professores e investigadores que precisem de aceder a qualquer edifício ou sala da universidade não estão impedidos de o fazer, bastando solicitá-lo junto dos serviços.

Nestas duas semanas, a refrigeração só vai funcionar nos laboratórios onde seja fundamental, haverá apenas um elevador em funcionamento por edifício e a iluminação será reduzida ao mínimo. As residências de estudantes vão funcionar normalmente, até porque acolhem muitos alunos estrangeiros matriculados nos cursos de verão do IST, mas ainda será nestes dias que os serviços se vão encarregar dos grandes trabalhos de manutenção e limpezas.

A Universidade Católica Portuguesa adiantou à Lusa que «sempre encerrou os seus serviços durante alguns dias em agosto para que se possa proceder à manutenção de alguns equipamentos». Já a Universidade Nova de Lisboa vai, pela primeira vez, encerrar a reitoria «durante alguns dias em agosto» e também algumas das suas faculdades durante uma semana.

A Universidade do Minho encerra totalmente durante 10 dias em agosto e, fora destas datas, os serviços da academia minhota «funcionam em pleno», embora em alguns casos com horários reduzidos.

«No ano passado, o encerramento das portas em agosto mais uma semana em dezembro foram fundamentais para reduzir o custo energético da universidade, redução que rondou os 20 por cento em relação a 2011», referiu fonte da universidade.

Em Aveiro, a universidade decidiu encerrar as suas instalações durante uma semana e três dias em dezembro, com os serviços centrais a assegurar o atendimento ao público, embora de modo condicionado.