A organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (UNESCO) estimou nesta quinta-feira que até 2030 serão necessários 8,4 milhões de professores para assegurar as necessidades educativas de todas as crianças do ensino primário e secundário.

Dados divulgados para assinalar o Dia Mundial dos Professores, que se comemora no sábado, revelam que o aumento da população e o consequente crescimento da procura escolar torna necessária a existência de mais 1,6 milhões de professores primários até 2015 e de 3,3 milhões até 2030.

O estudo adianta ainda que, para assegurar o ensino secundário a todas as crianças do mundo, são necessários mais 3,5 milhões de professores até 2015 e 5,1 milhões considerados os 15 anos seguintes.

Considerando que todas as regiões do mundo são afetadas pela falta de professores, o estudo sublinha que a situação «mais preocupante» se regista na África Subsaariana, onde se localiza um terço dos países que têm falta de professores.

A UNESCO aponta que, para fazer face à procura de professores nesta região, será necessário formar mais 2,1 milhões de professores.

Os países árabes, onde nos próximos 15 anos haverá 9,5 milhões de novos alunos na escola primária, surgem em segundo lugar no ranking da carência de professores e requerem 500 mil novos professores para tornar a educação primária universal.

A UNESCO precisa ainda que no interior destas regiões existem fortes disparidades.

Segundo as Nações Unidas, a manter-se a atual tendência, países como a Etiópia, os Camarões, a Namíbia, o Lesoto, a Mauritânia ou o Iémen conseguirão dar resposta às necessidades educativas de todas as crianças em idade escolar primária até 2015.

Por outro lado, e devido ao aumento do número de alunos, estima-se que em países como a Costa do Marfim, Eritreia, Malaui ou Nigéria a necessidade de docentes seja maior em 2030.

Paralelamente, segundo o estudo, e apesar dos professores do ensino secundário continuarem a aumentar em todo o mundo, continuam a ser necessários professores com conhecimentos específicos sobre cada matéria.

A África Subsaariana representa 46 por cento das carências destes professores em todo o mundo, acrescenta a UNESCO, que espera que a política de contratação iniciada em vários países há uma década comece a dar frutos.

«Se a tendência se confirmar, 42 por cento dos 148 países com carências deverão superar essa falta de professores até 2015. Em 2030, serão 80 por cento [dos países]», conclui a UNESCO, que tratará este assunto na sexta-feira numa sessão especial na sua sede em Paris.