Os principais contratos de requalificação do edifício da Torre dos Clérigos foram esta segunda-feira assinados, num investimento de 2,6 milhões de euros que, segundo o padre Américo Aguiar, permitirão aos visitantes ver o monumento como era «em 1779».

Na igreja dos Clérigos, em frente ao altar, foi assinado com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Emídio Gomes, o contrato que, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional, financiará em cerca de 70% a obra que a ser realizada.

O remanescente que deve ser garantido pela Irmandade dos Clérigos, cerca de 800 mil euros, serão financiados pelo programa Jessica, de apoio à reabilitação urbana nos centros históricos, representado no Norte pelo BPI, contrato que foi também assinado esta tarde.

O último contrato a ser subscrito foi com a empresa encarregue da maior empreitada desta obra que, simbolicamente, começou com o levantamento de algumas das tábuas de madeira podres. Para além de Emídio Gomes, dispuseram-se a esse gesto simbólico o banqueiro Artur Santos Silva, Pio Alves, administrador apostólico do Porto e o novo diretor da Direção Regional de Cultura do Norte, António da Ponte.

«As pessoas quando chegarem cá vão ficar de boca aberta e de sorriso rasgado porque vão rever o esplendor deste edifício, ou seja, vamos ver aquilo que no dia 12 de dezembro de 1179, os portuenses virão no dia da inauguração, ou seja, a talha, os mármores, a iluminação, os órgãos de tubos...», afirmou o padre Américo Aguiar, responsável pela Irmandade dos Clérigos.

«Tudo vai ser intervencionado para retomar a beleza do seu criador, Nicolau Nasoni, e estou convencido que 2,6 milhões de euros depois o edifício vai ser uma agradável surpresa para os portuenses, para os portugueses e para os turistas que nos visitam», acrescentou Américo Aguiar.

Turistas que têm vindo a aumentar a um ritmo elevado. Em 2012, a Torre dos Clérigos teve cerca de 150 mil visitantes, no último sábado o número de visitantes atingiu os 422 mil ao longo de 2013, muito acima dos 250 mil que eram o objetivo num ano em que o edifício, ex-líbris do Porto, comemora um quarto de milénio.

A ideia da Irmandade é aumentar o tempo de permanência dos turistas no edifício e permitir que aqueles que, por razões físicas, não ousam subir os 240 degraus da escadaria em espiral possam ter alguma coisa para visitar. Um faixa de público que, segundo Américo Aguiar, deverá ser de 30% de todos aqueles que para junto ao edifício barroco.

A igreja vai ser recuperada, mas a principal novidade será o aproveitamento do edifício que se situa entre a torre e a igreja. Estes três pisos vão ter espaços museológicos novos sendo um deles dedicado à história da Irmandade dos Clérigos, um outro ao arquiteto e aos mestres pedreiros que fizeram o edifício e por fim um «museu do Cristo».

Segundo Américo Aguiar «há um particular que irá entregar à Irmandade uma coleção de cerca de 400 Cristos, do século XII até à atualidade, de todos os pontos do mundo, escultura, ourivesaria, pintura, tapeçaria, uma coleção belíssima que vai estar aqui disponível».

Para já nesse edifício, onde funcionaram, residências e serviços administrativos ligados ao universo eclesiástico, são conservadas as peças recuperáveis do acervo da Irmandade entre elas peças ligadas à vida da cidade, como a «meridiana», um pequeno canhão que durante muitos anos, ao meio dia, assinalava com um tiro o meio-dia.

O arquivo documental e a biblioteca da Irmandade, com livros e registos com cerca de 300 anos, correspondendo a mais de 20 mil páginas, foram transferidos para a Casa da Prelada, onde recentemente a Misericórdia do Porto inaugurou modernas instalações para o seu arquivo.