Uma nota de protesto foi hoje entregue na embaixada da Ucrânia por uma delegação de cinco pessoas. Foi também distribuída uma «Carta ao parlamento de Portugal», assinada por responsáveis de associações e subdelegações desta comunidade fixadas no país e que também promoveram à mesma hora uma concentração no Porto.

«Pedimos a Portugal (...) que ajude a pôr fim ao conflito na Ucrânia, com a realização de eleições parlamentares e presidenciais antecipadas, bem como reconhecer o novo conselho parlamentar criado pelos partidos da oposição (...)», refere a missiva, que também sugere o congelamento dos bens dos atuais líderes políticos ucranianos e «esforços diplomáticos» para «parar o assassinato e violência contra pessoas».

Cartazes com um alvo, alguns com a frase «Sou ucraniano, podem matar-me», coroas de flores, velas acesas em forma de cruz, bandeiras da Ucrânia e de Portugal e fotos de manifestantes vítimas dos confrontos com a polícia eram erguidos por muitas das mais de 100 pessoas que compareceram no protesto, iniciado como hino nacional do seu país.

«Já não esperamos pelo embaixador, sabemos que é a favor do Presidente e representa os que estão no poder. Ainda tivemos uma esperança que o corpo diplomático dissesse alguma palavra, mas não querem falar com o povo», disse aos jornalistas Nykola Chaban, antigo trabalhador da construção civil, tradutor, e fixado há 14 anos em Portugal.

No semicírculo formado frente à embaixada, do outro lado da avenida e delimitado por um cordão policial, os manifestantes não desistiam das palavras de ordem, com a ajuda de megafones empunhados pelos organizadores e após terem cumprido um minuto de silêncio pelas vítimas dos recentes confrontos em Kiev.

«Não temos liberdade e não queremos a Rússia», «Ianukovitch, demissão», «O povo unido jamais será vencido», foram algumas das palavras de ordem mais repetidas, num ambiente emotivo e que comoveu às lágrimas vários participantes.

«Hoje entregámos outra carta do povo ucraniano, de muitas organizações, para dizerem se são a favor da democracia ou a favor do que hoje se passa na Ucrânia, que é totalitarismo, fascismo, uma ditadura dos que questão no poder», prosseguiu Chaban, boné e um laço na lapela com as cores amarela e azul da bandeira ucraniana e que no início se dirigiu aos seus compatriotas em português.

O responsável da Associação censurou o atual poder do Presidente Viktor Ianukovitch de autorizar fortes investimentos nas forças de segurança, de prescindir do apoio às populações necessitadas, de um aumento da repressão que já terá provocado pelo menos cinco mortos e dezenas de feridos e detidos.

«Queremos entrar na União Europeia e todos os ucranianos sabem os problemas da Rússia. Queremos viver num país democrático, estar na Europa unida e fugir da Rússia. Já fugimos, somos um país independente, mas que é apenas na bandeira, na moeda (...)», declarou.

As acusações das autoridades de Kiev sobre a infiltração nas manifestações de movimentos violentos da direita nacionalista radical também mereceram a total rejeição do dirigente da comunidade.

«Nas ruas estão pessoas, trabalhadores das cidades, vilas, aldeias que já não aguentam a tirania e mentira no nosso país. Existe uma grande corrupção no nosso país e as afirmações do Governo de que são radicais a promover os protestos, não existem», referiu, com veemência.

Os protestos antigovernamentais, que voltaram a intensificar-se na última semana, iniciaram-se em finais de novembro, após o Governo de Ianukovich ter abandonado a assinatura de um acordo de associação negociado com a UE e optado por um reforço das relações com a vizinha Rússia.