Daniel voltou para casa ao fim de três dias e durante cinco meses o caso esteve como que adormecido nas gavetas da polícia. Uma aparente rapto com um final feliz, mas a história não acabou ali. A mãe de Daniel foi detida e está agora indiciada de tráfico de seres humanos.

Tráfico de seres humanos. Rapto de bebés para adoção ilegal. Uma realidade que, afinal, existe em Portugal. Três recém-nascidos portugueses terão sido vítimas desta prática e estavam sinalizados em 2013, de acordo com o «Diário de Notícias», de acordo com dados do Observatório de Tráfico de Seres humanos (OTSH).

«As três situações estão identificadas como potenciais casos de tráfico tendo em vista a adoção ilegal de crianças», disse Manuel Albano, relator nacional do plano contra o tráfico de seres humanos e que acrescenta, em declarações ao jornal, que «a venda de crianças não é uma realidade muito conhecida em Portugal, mas não vou dizer que não exista».

Estes três bebés fazem parte de um conjunto de 17 menores portugueses. Ao todo, no ano passado, foram sinalizados 49 casos, quase todos estrangeiros. Este ano, no primeiro semestre, já foram sinalizados sete casos de menores africanos.

O tráfico de menores para venda/adoção é a segunda causa de tráfico de seres humanos no país, logo a seguir ao tráfico para exploração sexual.

Pegando no caso de Daniel e generalizando, Manuel Albano rejeitou a ligação entre a crise económica e a venda de menores, mas admitiu que «os territórios deprimidos, territórios com pobreza, franjas da população mais marginalizadas, negligência e maus tratos, tudo isso faz que a criança esteja mais vulnerável».