Os resultados do exame de inglês do 9.º ano são ainda desconhecidos para alguns alunos cujas notas não foram afixadas nas pautas da sua turma, situação confirmada pelo IAVE que, em resposta às escolas, atribui responsabilidades ao Cambridge Institute.

Ana Ferreira, mãe de uma aluna do 9.º ano que fez a prova de diagnóstico de inglês criada pelo Cambridge Institute e coordenada pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), realizada pela primeira vez este ano nas escolas, está há uma semana a tentar obter respostas para a ausência do nome e da nota da sua filha Telma nas pautas de inglês da turma da jovem, que frequenta a Escola Básica Nuno Gonçalves, em Lisboa.

Na quinta-feira passada, quando se dirigiu à escola para ver os resultados da filha afixados nas pautas, Ana Ferreira constatou que o nome de Telma não estava na lista e que o mesmo se passava com dois colegas seus. Dirigiu-se à secretaria, mais tarde à direção da escola e só aí, depois de a equipa diretiva ter entrado em contacto com o IAVE, soube que nenhum dos nomes destes três alunos consta da lista de exames feitos, atribuindo responsabilidades ao Cambridge Institute.

Ana Ferreira diz que a escola tem contactado diariamente o IAVE, insistindo na resolução da situação, e que ela própria já ligou, tendo também obtido como resposta que o nome da filha não era encontrado nos registos.

«Andamos há quatro dias a reportar nomes. Perderam os exames? É que essa a ideia que fica», afirmou a encarregada de educação à Lusa, acrescentando que no caso da sua filha optou por não pedir o certificado que custava 25 euros.

Contactado pela Lusa, o IAVE confirmou que há problemas com a divulgação dos resultados deste exame, com «diferentes casos, com diferentes origens» a serem tratados individualmente por uma equipa para o efeito.

Segundo o IAVE são «casos pontuais e dispersos» e o instituto espera ver a situação resolvida «o mais rápido possível».

Recusou no entanto esclarecer quantos casos como este estão a ser analisados pela equipa do IAVE e quais as «diferentes origens» na base das falhas na divulgação de resultados, não fazendo qualquer referência ao Cambridge Institute.

A divulgação das notas do exame foi adiada por duas vezes, tendo apenas acontecido a 11 de julho, de uma perspetiva nacional, e só a 15 de julho foram afixadas as pautas nas escolas com os resultados por aluno.

Mais de 121 mil alunos realizaram, no final de abril, o teste de diagnóstico concebido pelo Cambridge English Language Assessment, organismo que pertence à Universidade de Cambridge.

Este teste era obrigatório para todos os alunos do 9.º ano e opcional para os estudantes com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos.

O Ministério da Educação já anunciou que quer que no próximo ano o teste tenha um grau de dificuldade superior e o IAVE admite estender a sua aplicação a outros anos de escolaridade, como por exemplo um exame no 12.º ano que atribua uma equivalência ao nível do First Certificate a todos os alunos, ou seja, que certifique um nível de fluência e de utilização independente da língua, como conta a Lusa.