A TAP «vai manter» a escala em Dacar para Bissau na quinta-feira, não havendo previsão sobre quando serão retomados os voos diretos de Lisboa.

«[No próximo voo] vamos manter o mesmo esquema que temos seguido até hoje, ou seja, os passageiros voam pela TAP de Lisboa até Dacar, e lá embarcam num voo fretado à Senegal Airlines para fazer o voo de Dacar até Bissau», disse à Lusa o porta-voz da TAP, António Monteiro, acrescentando que no sentido inverso (Bissau-Lisboa) «o esquema é o mesmo: o avião apanha os passageiros em Dacar, vindos de Bissau, e transporta-os até Lisboa».

Questionado sobre quando poderão ser retomados os voos, que até ao princípio do mês eram diretos entre Lisboa e Bissau, António Monteiro disse não ter uma previsão.

A tripulação do voo da TAP entre Bissau e Lisboa de terça-feira, 10 de dezembro, foi ameaçada e obrigada por autoridades guineenses a transportar 74 passageiros com passaportes falsos, o que levou a transportadora aérea portuguesa a cancelar os voos diretos entre os dois países.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete, considerou que se tratou de «um ato próximo do terrorismo» e foi criada na Guiné-Bissau uma comissão para investigar o assunto, liderada pelo ministro da Justiça, Saido Baldé, que deverá apresentar conclusões até quarta-feira.

A greve da função pública na Guiné-Bissau impediu na segunda-feira a audição em tribunal de um homem suspeito de recrutar os passageiros com passaportes falsos que viajaram num voo da TAP até Lisboa, disse à Lusa fonte policial.

O homem, residente em Bissau, foi detido na sexta-feira pela Polícia Judiciária guineense, sob suspeita de que terá acompanhado os cidadãos estrangeiros, presumivelmente sírios, de Marrocos até à capital guineense, referiu a mesma fonte.

A polícia recebeu garantias de que hoje haverá um juiz e outros magistrados disponíveis para que o suspeito seja ouvido para determinação das medidas de coação.

No seguimento deste caso e do cancelamento das viagens diretas entre Lisboa e Bissau, o país prepara-se para «muito brevemente» criar a sua própria companhia aérea, anunciou o presidente do conselho de administração da Agência de Aviação Civil, Nuno Na Bian.