O reitor da Universidade do Algarve (Ualg) mostrou esta segunda-feira a sua «solidariedade inequívoca» a Élsio Menau, julgado por crime público de ultraje contra símbolos nacionais por ter feito uma escultura onde colocava a bandeira nacional numa forca.

Em comunicado, António Branco disse entender que não houve ofensa à bandeira nacional, já que o artista, que produziu a peça no âmbito de um projeto final do curso de Artes Visuais da Ualg, «utilizou simbolicamente a bandeira para fazer uma instalação artística, num contexto de crítica social».

«Portugal na forca»: crime ou arte?

«Ao contrário do que possa parecer, a ideia não era atacar a bandeira, mas sim defender o que ela representa de facto naquele contexto: a nação que se sente ameaçada e 'enforcada' pelas limitações impostas por fatores externos de cariz económico e, internamente, por questões de foro político», considerou o reitor da Ualg.

Na sessão de hoje do julgamento de Élsio Menau, o Ministério Público pediu ao Tribunal Judicial de Faro a absolvição pelo crime público de ultraje contra símbolos nacionais imputado ao ex-aluno da Ualg, em julho de 2012, após audição das testemunhas.

A defesa do artista algarvio tentou demonstrar que o trabalho em causa fez parte de um exercício universitário relacionado com arte e design e que nunca houve intenção de ofender os símbolos nacionais.

«São pessoas que, através daquilo que possuem, que é uma capacidade artística, exercem um direito que hoje está consagrado constitucionalmente, que é expressar artisticamente a sua opinião», explicou o advogado de defesa, Fernando Cabrita, após a sessão.

A leitura da sentença está marcada para 7 de julho.