O número de pessoas que recaíram no consumo de heroína quase triplicou nos últimos três anos, devido à crise que o país atravessa, revelou esta quarta-feira o subdiretor geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do PS, sobre «Problemas relacionados com o álcool», o responsável revelou que nos últimos anos se tem assistido a um regresso de ex-consumidores de heroína ao consumo dessa droga.

Citando os números das readmissões de dependentes nos serviços, Manuel Cardoso indicou que voltaram ao consumo de heroína 1.008 pessoas em 2010, 1.843 em 2011 e 2.881 em 2012.

No primeiro semestre deste ano, contabilizaram-se 856 casos, o que poderá indiciar uma tendência de descida novamente, após três anos de acentuada subida, considerou.

Estes reincidentes em heroína são pessoas que estavam em programas de recuperação, com ou sem substituição opiácea, que tinham refeito as suas vidas, mas que, fruto da situação de crise, ficaram desempregadas e na linha da frente da fragilidade social, acabando por procurar os antigos consumos, explicou o subdiretor do SICAD.

Segundo Manuel Cardoso, o álcool e a cocaína têm seguido este mesmo padrão de subida, tendo triplicado nos últimos três anos, embora a ordem de grandeza seja muito menor, rondando as centenas, e não os milhares, como no caso da heroína.