A Guarda Nacional Republicana (GNR) foi chamada, este sábado, ao local da festa de música eletrónica organizada ilegalmente junto à barragem alentejana de Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo, para verificar as licenças de direito de autor.

Um dos militares presentes no local descreveu à TVI24 um cenário de «batalha campal», com agressões, objetos arremessados, bastonadas e gás pimenta.

Entretanto, a TVI24 sabe que a GNR já mobilizou este domingo mais efetivos para o local.

«Tivemos de fugir de lá»

A ausência de autorizações tornava a «rave» ilegal e as autoridades providenciaram a apreensão do material de som. A organização não aceitou e os cerca de 47 guardas presentes no local foram «escorraçados» à pedrada.

«Fomos cercados para não levar o material, começámos a ser agredidos com o que tinham à mão e respondemos com bastonadas e gás pimenta», disse à TVI24 um dos GNR presentes na operação.

«Tivemos de fugir de lá, não fazíamos a mínima ideia do que íamos encontrar porque só tínhamos ido verificar uma licença de utilização de direitos de autor», afirmou a mesma fonte.

Em declarações à TVI24, a mesma fonte referiu que um dos guardas ficou retido no local e só conseguiu escapar porque foi ajudado por um participante da festa português a chegar à estrada principal.

«Quando nos apercebemos da falta de um dos guardas, voltámos atrás para o socorrer. Felizmente alguém o ajudou a sair da confusão, senão teria sido muito pior», acrescentou.

Foram cerca de 50 as pessoas da organização abordadas pela GNR para a vistoria às licenças. «Eram umas 50 pessoas à nossa frente a impedir que levássemos o material e atrás dessas estavam umas mil pessoas a atirar-nos pedras, paus e tudo o que tinham à mão. Aquilo foi uma autêntica batalha campal».

«Víamos pessoas a sair das tendas e das roulottes para nos agredir», frisou a mesma fonte. A GNR não conseguiu identificar nenhum dos agressores nem sequer ficou provada, para já, a existência de substâncias ilícitas.

Jovens dizem que correu tudo bem

Alguns dos jovens presentes na «rave» dizem não se ter apercebido de nada, nem sequer da presença dos militares da GNR. «Correu tudo bem, muita música e alegria», disse um dos jovens à TVI.

«Não se passou aqui nada. Em relação a desacatos e apedrejamentos não ouvi falar em nada disso com ninguém. Vi o pessoal super chateado por não terem música», referiu outro dos jovens presentes na festa da barragem de Odivelas.

Os «festivaleiros» envolvidos na confusão tinham cães que se juntaram à algazarra. «No meio daquilo tudo ainda tivemos que nos debater com os pit bulls e os rottweilers que algumas pessoas tinham e que também começaram a atacar. Os animais não foram mandados de propósito para atingir os guardas, mas no meio da confusão não ficaram impunes à violência. Cheguei mesmo a ver um dos indivíduos da festa a ser mordido por um cão», referiu um dos guardas presentes no local à TVI24.

As autoridades não conseguem aferir o número exato de pessoas na «rave» de Odivelas, Alentejo, mas seriam cerca de três mil.

Várias viaturas da GNR danificadas

No meio dos desacatos, várias viaturas presentes no local foram alvo de ataques. «Os carros ficaram danificados, os vidros partidos, as portas e os para-brisas amolgados e os pneus foram furados para não sairmos dali», revelou à TVI24 um dos GNR envolvidos.

Ao que a TVI24 apurou, os danos das viaturas serão agora alvo de um inquérito para apurar responsabilidades.

Cinco militares da GNR ficaram feridos com escoriações, consequência dos ataques de que foram alvo e foram assistidos no Hospital distrital de Beja.