Os rapazes são as principais vítimas de «bullying» homofóbico nas escolas, revela um estudo nacional, segundo o qual quase metade dos alunos do 9.º ano foi alvo de violência por causa da sua orientação sexual.

O trabalho foi elaborado entre 2010 e 2013, através de inquérito realizado a 162 alunos do agrupamento de escolas de Braga, acompanhando-os ao longo do 7.º, 8.º e 9.º anos e resultou no estudo «(In)visibilidade do Bullying Homofóbico no Contexto Escolar Português».

Dos 162 inquéritos, 52% eram raparigas e 48% rapazes.

Os resultados mostram que os rapazes e as raparigas não são agredidos da mesma forma e que são os rapazes as principais vítimas do «bullying» homofóbico na escola.

Os investigadores explicam que «a evolução da vitimação por bullying sexual é continuamente ascendente, onde se destaca a evolução mais expressiva do indicador homofóbico», passando de um total de 2,3% no 7.º ano para os 7,1% no 9.º ano.

Segundo a investigação, cerca de 45% dos rapazes foram vítimas no 9.º ano, número que desce para os 25% no 8.º ano e para os 15% no 7.º ano.

Já entre as raparigas registou-se cinco por cento de vítimas no 7.º ano, número que não se altera no 8.º ano, mas que sobe para os dez por cento no 9.º ano.

Os insultos vão desde «maricas», «gay», «bicha», «florzinha», até «maria-macho», «lésbica», entre outros.

«Os dados de vitimação por bullying homofóbico são mais expressivos nos rapazes do que nas raparigas, o que se explica, em parte, pela maior pressão social relativamente a pessoas do sexo masculino do que feminino, no que toca aos papéis sociais a desempenhar, mais rígidos no homem do que na mulher», explicam os investigadores.

Apontam também que «ter uma orientação sexual distinta da heterossexual ou simplesmente parecer já é um fator de risco para ser vítima de insultos homofóbicos».

Além destes dados, o estudo mostra igualmente que do total de alunos inquiridos, 35% afirmaram ter sido vítimas de bullying genérico, tendo sido no 8.º ano que se registou o maior número de vítimas.

Analisando ano a ano, 31% dos alunos do 7.º ano disse ter sido vítima de bullying genérico, enquanto no 8.º o número chega aos 41,9% e aos 32,1% no 9.º.

No global dos três anos de investigação, foram os rapazes que mostraram ser as principais vítimas de bullying genérico, havendo 15% no 7.º ano, quase 25% no 8.º e cerca de 20% no nono ano de escolaridade.

Os investigadores aproveitam para deixar algumas recomendações em matéria de prevenção e combate ao fenómeno, nomeadamente através de uma intervenção multidisciplinar que envolva toda a comunidade escolar.

Propõem ainda também a inclusão da diversidade sexual e familiar nos currículos das disciplinas, para além da criação de políticas escolares anti-bullying e anti-discriminação e da educação sexual nas escolas.

O trabalho foi realizado por Manuel Damas, José António Pinto, ambos membros do Centro Avançado de Sexualidades e Afectos (CASA), juntamente com os investigadores Paulo Costa, José Pinto e Beatriz Pereira, do Instituto de Educação da Universidade do Minho e Henrique Pereira, do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, como escreve a Lusa.