Agentes da PSP retiraram das galerias da Assembleia da República algumas dezenas de professores que protestaram contra a proposta do Governo de realizar uma prova de avaliação de conhecimentos para docentes contratados. Antes, já uma centena de professores tinham sido impedidos de entrar no Parlamento.

No final do debate desta quinta-feira sobre o pedido de apreciação parlamentar do PCP ao decreto do Governo que altera o Estatuto da Carreira Docente, os manifestantes começaram por se levantar dos seus lugares, ficando de pé, em silêncio. Já a oposição pediu no Parlamento fim da prova dos professores..

Depois, alguns dos professores gritaram «mentirosos», dirigindo-se aos membros do Governo que entretanto saiam do hemiciclo, enquanto outros docentes mostraram pequenos letreiros onde se lia «juntos contra a prova».

É «inadmissível» que dezenas de professores não tenham entrado na AR, reagiu Mário Nogueiro.

A vice-presidente da Assembleia da República e deputada do CDS-PP, Teresa Caeiro, que substituía Assunção Esteves na presidência da sessão plenária, pediu aos agentes policiais «celeridade» na ação de retirarem os manifestantes do hemiciclo.

«Todos os cidadãos são bem-vindos ao Parlamento desde que cumpram as respetivas normas. Mas esses cidadãos não estão a cumprir as normas», salientou Teresa Caeiro.

Antes destes incidentes, as bancadas do PCP e do Bloco de Esquerda tinham pedido à presidente da Assembleia República, Assunção Esteves, para que o grupo de cidadãos que acabou por ser expulso das galerias pudesse entrar na Assembleia da República.

«Manifestações são um direito lá fora mas um crime dentro da AR»

Em frente da Assembleia da República continuam concentrados milhares de professores.

Galerias têm capacidade para 500 professores mas ficaram semi-preenchidas

Dezenas de professores estiveram mais de três horas para aceder às galerias da Assembleia da República, para assistirem ao debate parlamentar sobre a prova de avaliação dos docentes.

«Isto é uma vergonha. Estou aqui há mais de três horas para entrar», disse um dos professores, concentrado junto a uma das portas da Assembleia da República. Segundo os docentes, os polícias estão a demorar muito tempo no processo de identificação e na revista. Enquanto esperam, os professores, que exibem na mão o bilhete de identidade, gritam: «Ditadura» e «Fascismo».

Os deputados Helena Pinto, do Bloco de Esquerda (BE), e Manuel Tiago, do PCP, juntaram-se aos manifestantes, para se inteirarem da situação. Para o deputado comunista, é necessário apurar quais «os contornos» da situação, uma vez que as galerias do hemiciclo «não estão cheias e não se pode vedar o acesso às galerias».

Helena Pinto afirmou que o BE já interpelou a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, sobre o que está passar, uma vez que as galerias não estão cheias. «Todos os cidadãos têm o direito a assistir ao debate. A porta da Assembleia da República está aberta», adiantou.

A deputada do BE disse ainda que pediu explicações à polícia, tendo os agentes garantindo que estão a fazer os procedimentos normais.

As bancadas públicas, com capacidade para cerca de 500 pessoas ficaran apenas semi-preenchidas, e perto de 100 cidadãos, alegadamente professores, gritam «fascistas» e «vergonha» já no átrio da porta lateral do Parlamento, onde os agentes policiais não conseguem fazer o controlo de malas, pastas ou peças de roupa, através do detetor de metais.