A manifestação «Geração à rasca» realizou-se há três anos e foi o primeiro protesto convocado via Facebook, tendo conseguido reunir milhares de pessoas em 11 cidades portugueses e que nas ruas exigiam mais educação e trabalho.

A 12 de março de 2011, pela primeira vez um protesto convocado nas redes sociais e não vinculado a partidos políticos ou sindicatos, conseguiu reunir o maior número de manifestantes nas ruas desde o 25 de Abril de 1974.

Segundo os organizadores, só em Lisboa e no Porto marcaram presença, respetivamente, cerca de 200 mil e 80 mil pessoas, números que não foram confirmados pela Polícia.

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A manifestação do movimento «Geração à rasca», que reivindicava melhorias nas condições de trabalho e o fim da precariedade, reuniu nas ruas muitos jovens, poucos políticos e movimentos totalmente heterogéneos, desde neo-nazis aos defensores dos direitos homossexuais. Velhos e novos, precários e empregados, saíram à rua em várias cidades do país para exigir mudanças nas políticas do Governo socialista.

Numa carta aberta, os promotores explicavam que o protesto era «fruto da insatisfação de um grupo de jovens que sentiram ser preciso fazer algo de modo a alertar para a deterioração das condições de trabalho e da educação em Portugal».

«Este é um protesto apartidário, laico e pacífico, que pretende reforçar a democracia participativa no país, e em consonância com o espírito do Artigo 23º da Carta Universal dos Direitos Humanos», explicaram, reclamando o direito ao emprego, educação, «melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade¿ e o reconhecimento das ¿reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhado em salários e contratos dignos».

O protesto chegou mesmo a ser noticiado no «Financial Times» com uma entrevista a uma jovem portuguesa.

«Chamam-se a si próprios a geração à rasca - diplomados universitários com idades entre os 21 e os 30 anos que estão desesperados por começar uma carreira, ganhar um salário fixo e abandonar a casa dos pais», escreveu o correspondente do jornal britânico em Lisboa.

Entretanto e já com o atual Governo, realizou-se, a 15 de setembro de 2012, o maior protesto realizado até hoje em Portugal, promovido pelo movimento «que se lixe a troika» e também convocado nas redes sociais.