A primavera chega nesta quinta-feira à tarde, quando o dia é exatamente do tamanho da noite em todo o planeta e o sol atravessa o equador, com previsões de um dia com sol, mas também com chuva.

Diz o Instituto Português do Mar e da Atmosfera que estão previstas nuvens até ao final da manhã no litoral oeste e que de tarde as nuvens e talvez a chuva regressam ao interior norte e centro. Vai também ficar mais frio.

É num dia assim, à tardinha, que chega a primavera, quando forem 16:57. Suzana Ferreira, astrónoma do Observatório Astronómico de Lisboa, explica que todos os anos o início da estação difere (por vezes é no dia 21), devido ao alinhamento da terra em relação ao sol e também porque a terra não é um círculo perfeito nem o seu movimento é igual.

A hora do início do equinócio da primavera depende portanto desses ajustamentos devido ao eixo de rotação do planeta e o mesmo acontece nas outras três estações. Os dias vão agora começar a ficar cada vez maiores até ao Equinócio do outono, quando voltam a ser iguais às noites.

São os únicos momentos em que tal acontece. No hemisfério sul, na cidade de Ushuaia, Argentina, uma das mais a sul do planeta, o sol vai nascer às 10:30 e pôr-se às 22:46. E no ponto mais setentrional (a norte), numa pequena localidade da ilha de Spitsbergen chamada Longyerbyen, o sol nasce às 04:52 e põe-se às 17:21. Doze horas em ambos os casos.

Mas lembra Suzana Ferreira que, excetuando quem vive na linha do equador, tudo muda a seguir. Se em Portugal os dias vão ficando maiores à razão de um minuto em cada 24 horas, naqueles locais a diferença é de 15 minutos diários. Quando chegar o verão de Portugal, Longyerbyen terá dias intermináveis e Ushuaia a noite mais longa.

«Nos dias a seguir e nos anteriores (à primavera) as diferenças são mínimas em Portugal», diz a responsável, citada pela Lusa, palavras que indicam uma chegada discreta de uma estação que simbolizava o início do verão (que chega oficialmente a 21 de junho).

A palavra deriva da expressão em latim «primo ver», ou primeiro verão.

É na verdade associada aos dias de sol, ao renascer da natureza e ao calor. Mas também às alergias provocadas pelos pólenes, cada vez mais agressivos devido à poluição, de acordo com especialistas.

E é ainda ela que determina a Páscoa, que é marcada para o domingo que se seguir à primeira noite de lua cheia após o equinócio.

Tirando as alergias, é por norma uma estação do agrado dos portugueses e antecede também outro momento normalmente apreciado, a mudança da hora, no último domingo do mês, quando o sol se põe, de um dia para o outro, uma hora mais tarde.

Cuidado com os pólenes das árvores

De acordo com o boletim polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, o alerta vai particularmente para os pólenes de árvores.

Entre eles, o cipreste, o plátano pinheiro, a azinheira e outros carvalhos.

Destaque ainda para a erva parietária, sobretudo, na região da Estremadura.

Para os arquipélagos dos Açores e da Madeira preveem-se baixas concentrações de pólen.

Para evitar graves crise alérgicas, os especialistas defendem a prevenção ainda durante o inverno.