O presidente do Conselho de Admninistração do IPO-Porto defende o uso de drogas,nomeadamente canábis, no tratamento de doentes com cancro.

Laranja Pontes, em entrevista ao «JN», afirma, sem rodeios, de que é «a favor de que [a canábis] deveria ser usada» nos doentes com cancro.

O médico aponta as vantagens do uso desta droga na terapêutica aplicada a estes doentes: «Os produtos que estão no canábis melhoram o bem-estar do doente, aumentam o apetite, potenciam imenso o efeito dos analgésicos».

«Por isso, e numa doença muito avançada como o cancro, em tudo aquilo que for possível fazer para melhorar a qualidade de vida dos doentes, não há ilícitos».

Laranja Pontes é defensor de que «a abordagem das drogas - não só o canábis, mas outras - devia ser totalmente diferente. Devia haver uma política completamente diferente», uma abordagem que «começa a ser implementada em alguns países ocidentais, nomeadamente, os Estados Unidos».

No fundo, o médico reconhece que o IPO do Porto já usa drogas: «Nós já usamos em alguns casos uns estratos de canábis, os carabinoides, que não são propriamente da planta, mas o produto refinado».

O presidente do Conselho de Administração do Instituto Português de Oncologia do Porto vê no uso das drogas, portanto, uma forma de ajudar os doentes, porque a solução ainda pode estar longe. «Não» há nenhuma vacina comprovadamente eficaz contra o cancro. «Se houvesse, qualquer dos laboratórios já tinha comprado a empresa e já tinha feito».

E o médico explica por quê: «É muito difícil fazer vacinas para cancro, porque os cancros são sempre diferentes. É por isso que um doente faz um tratamento de quimioterapia e praticamente desaparece o cancro todo e, de repente, passados dois anos ou três começa a aparecer».

«As células dendríticas e os tratamentos que se chamam imunoterapia adotiva, já têm mais de 30 anos e nenhum deles criou resultados constantes e reprodutíveis. Isso não tem muito significado. Então este caso que foi falado da Alemanha ainda tem muito menos significado, porque as vacinas não são para dar em doentes terminais. As vacinas são dadas no pressuposto de que o nosso corpo consegue destruir qualquer coisa e isso é em doenças muito iniciais», acrescenta na entrevista ao «JN».