Os cinco portugueses que estão a trabalhar na Serra Leoa, um dos três países mais afetados pela epidemia do Ébola, vão ser retirados pela empresa, confirmou um dos funcionários à TVI24, através de correio eletrónico, nesta segunda-feira.

Samuel Bonifácio adiantou ainda que deverá regressar a Portugal na quarta ou quinta-feira, uma vez que, explicou, «as empresas mineiras e as multinacionais na Serra Leoa estão a evacuar todos os estrangeiros esta semana».

No domingo, este trabalhador português deu conta das preocupações da comunidade portuguesa naquele país em declarações à TVI24, queixando-se do pouco acompanhamento do Governo português e acusando ainda o consulado de Portugal em Dacar de não responder aos pedidos de informação.

Por seu turno, o secretário de Estado das Comunidades assumiu na TVI24 que desconhecia esta situação em particular, acrescentando que, desde abril, que o Governo aconselhou todos os portugueses a viver na África Ocidental a regressarem ao país, por causa do surto.

José Cesário ainda explicou o que devem os emigrantes fazer em caso de suspeita.

O Governo advertiu que os portugueses que se encontrem nos países afetados pelo vírus do ébola devem contactar o gabinete de emergência consular, em caso de «problema grave», e podem recorrer a embaixadas de países da União Europeia.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, afirmou que os portugueses que residem na Serra Leoa, Guiné-Conacri e Libéria - países afetados por uma epidemia de ébola que já fez mais de 700 mortos -, em caso de «problema grave, que justifique uma emergência, devem contactar o gabinete de emergência consular», através dos números de telefone 707202000 ou 961706472 ou pelo endereço eletrónico gab.emergencia@mne.pt.

Uma vez que nestes países Portugal não possui representação diplomática, os cidadãos nacionais podem contactar a embaixada em Dacar, capital do Senegal, ou dirigir-se a uma embaixada de países da União Europeia nas zonas onde residem.

Questionado sobre a comunidade portuguesa naqueles países, José Cesário referiu que há «umas escassíssimas dezenas de portugueses, como residentes permanentes», mas afirmou desconhecer em concreto o número de cidadãos que vivem nestes Estados da África Ocidental, até porque em alguns casos, «as pessoas vão trabalhar para lá e não se registam em lado nenhum».

O secretário de Estado referiu que desde abril «o Governo recomenda que os portugueses não vão para aquela zona, por causa do ébola».

A epidemia de ébola nestes três países africanos já contabilizou 1.323 contágios e 729 mortos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A Nigéria só contabilizou um caso, de uma pessoa que chegou a Lagos, oriunda da Libéria.