O português João Esteves estava há apenas quatro dias no Reino Unido quando foi agredido mortalmente em Crawley, perto de Londres, na noite de sábado, horas após ter sido recusado num centro para sem-abrigo, disse esta sexta-feira a polícia britânica.

Um porta-voz da polícia disse à agência Lusa que o português de 45 anos natural de Lisboa terá chegado ao aeroporto de Gatwick num voo proveniente de Portugal na quarta-feira, 15 de janeiro.

Voltou ao aeroporto dois dias depois, onde dormiu enquanto procurava uma forma de pagar um bilhete de regresso, tendo a situação sido acompanhada por agentes da polícia e por funcionários de Gatwick.

Ao verem João Esteves a preparar-se para pernoitar mais uma vez no aeroporto, foi-lhe sugerido que se dirigisse à Crawley Open House, que dá apoio a pessoas sem-abrigo.

Mas na Crawley Open House foi-lhe recusada guarida porque quando chegou, pouco depois das 22:00 horas, já não havia camas disponíveis.

De acordo com a polícia, os funcionários da organização de solidariedade deram ao português uma bebida quente, comida e agasalhos e aconselharam-no a permanecer do lado de fora do portão até à hora de reabertura do centro, na manhã seguinte.

Embora ainda se desconheçam as circunstâncias do crime, a autópsia realizada indica que João Esteves foi agredido com gravidade na cabeça poucas horas depois, tendo sido encontrado inconsciente num beco pela polícia às 03:25 horas de domingo.

Foi assistido no local por paramédicos antes de ter sido levado para o Royal Sussex County Hospital em Brighton, onde acabou por morrer poucas horas depois, no domingo à tarde.

Um britânico, residente em Crawley, foi acusado de homicídio e o julgamento foi marcado hoje para 21 de julho, enquanto outras três pessoas, dois homens, de 33 e 48 anos, e uma mulher de 22 anos, permanecem sob investigação mas em liberdade.

Um comunicado publicado hoje pela polícia de Sussex cita a irmã, Margarida Esteves, a afirmar que João Esteves decidiu viajar para o Reino Unido «para tentar encontrar emprego». «Não era um arruaceiro e nunca lutou com ninguém. Ele evitaria o confronto e não era um homem violento», garantiu a familiar.

Margarida Esteves descreveu o irmão como «o tipo de pessoa que faria tudo para ajudar as pessoas» e considerou «desnecessária» a sua morte.

«Nem posso acreditar que isto esteja a acontecer. As pessoas em Portugal estão em estado de choque e não posso acreditar que ele tenha morrido desta maneira. Nada disto faz sentido», afirmou.

A morte violenta de João Esteves, revelou Margarida Esteves, deixou a mãe idosa «destroçada» e sozinha, pois era o filho mais velho e vivia com ela.