Polícias de todo o setor da segurança interna vão participar esta quinta-feira, e pela primeira vez em conjunto, numa manifestação nacional, em Lisboa, para contestar os cortes previstos no Orçamento do Estado para o próximo ano.

O protesto é organizado pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, que congrega a GNR, PSP, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Polícia Marítima, Guardas Prisionais e Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), mas vai contar também com a presença dos inspetores da Polícia Judiciária e elementos das polícias municipais.

O secretário nacional da CCP, Paulo Rodrigues, afirmou que a participação de todo o setor deve «merecer particular atenção por parte do Governo».

Esta mobilização significa, segundo Paulo Rodrigues, que os orçamentos previstos para o setor da segurança interna «podem pôr em causa não só a questão socioprofissional, mas também o funcionamento das instituições».

Os profissionais das forças e serviços de segurança protestam contra os cortes previstos nos vencimentos e nos orçamentos das próprias instituições policiais em 2014.

«A manifestação vai servir para exigir do Governo outra atitude, mas também para alertar a sociedade e a opinião pública, para que é possível vir a ter no futuro uma polícia e uma segurança de menos qualidade», sublinhou Paulo Rodrigues.

O também presidente da Associação Sindical dos Profissional de Polícia (ASPP/PSP) adiantou que este setor «está a fazer um caminho de fragilidade, que pode comprometer a qualidade da segurança pública».

Segundo a estrutura que representa a maioria dos profissionais das forças e serviços de segurança, o setor tem sofrido uma desvalorização, uma vez que, desde 2004, «praticamente não existe um investimento».

Nesse sentido, Paulo Rodrigues questiona «como vai ser possível cortar ainda mais no próximo ano», nas instituições policiais, tendo em conta que já funcionam no limite.

A manifestação, que vai realizar-se entre a praça Camões, ao Chiado, e a Assembleia da República, vai também contar com a presença do secretário-geral do Conselho Europeu dos Sindicatos de Polícia, que pretende levar as preocupações do setor da segurança interna português ao Conselho Europeu.

«Fragilizar a segurança pública em Portugal pode ter também consequências para o espaço europeu», disse ainda Paulo Rodrigues.

A CCP congrega os sindicatos e as associações profissionais mais representativos da Guarda Nacional Republicana (GNR), Polícia de Segurança Pública (PSP), ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima.