O presidente da Associação Sindical dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança (ASPP-PSP), Paulo Rodrigues, recebeu com surpresa a instauração de um processo-crime à manifestação de polícias em novembro frente à Assembleia da República e que terminou com a invasão da escadaria.

Vídeo da Polícia a invadir a escadaria do Parlamento

O jornal Público adianta na sua edição desta sexta-feira que o Ministério Público abriu um inquérito à manifestação das forças de segurança, em novembro, na qual os polícias «invadiram a escadaria da Assembleia da República», salientando que a investigação resultou de uma participação da própria PSP.

Contactada pela agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou ter sido registado um inquérito que tem por objeto os fatos ocorridos na manifestação do dia 21 de novembro de 2013 frente à Assembleia da República.

«Encontra-se em investigação», adiantou fonte da PGR.

Em declarações à Lusa, o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, disse ter recebido com surpresa a abertura do inquérito, que desconhece oficialmente.

«Logo a seguir à manifestação soubemos que a Inspeção-Geral da Administração Interna ia fazer averiguações, mas não esperava que houvesse esta vontade de chegar ao pormenor das coisas», admitiu.

No entender do presidente da ASPP, todos os intervenientes na manifestação desde os que a fizeram aos que executaram ordens merecem um louvor e não um processo disciplinar.

«Parece-me que são mais merecedores de um louvor do que de um processo disciplinar, porque outro tipo de atuação traria resultados mais dramáticos. Não houve desacatos, agressões, feridos, não houve danos para ninguém. Isto é que é um resultado positivo», sublinhou, salientando que qualquer tentativa de escamotear a situação é estar a instigar os polícias para outra situação semelhante.

Paulo Rodrigues adiantou que, para já, vai tentar obter informação oficial para a ASPP acompanhar o processo.

«Vamos acompanhar o processo para prestar ajuda possível a pessoas que estejam a ser alvo dessas averiguações e os que estejam identificados para eventual processo disciplinar», contou.

«A paciência tem limites e a nossa acabou!»

Também o Sindicato Nacional da Polícia lamentou a instauração do processo-crime, considerando que «este não é o melhor caminho para apaziguar o sentimento de revolta no seio das forças de segurança».

«Temos conhecimento desde a altura dos factos de que iria haver um processo. Lamentamos muito que se esteja a enveredar por este caminho (...). Lamento muito que se esteja a criar em volta da manifestação um clima ainda mais denso do que aquele que já existe. Só vai trazer ao de cima mais sinais de revolta que possam existir nas polícias», disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol).

Armando Ferreira disse ainda que o sindicato vai dar proteção jurídica aos associados que o queiram e anunciou para breve a colocação em todas as capitais de distrito do país de 200 cartazes nos quais se poderá ler: «A paciência tem limites e a nossa acabou!» e «Connosco a luta continua enquanto não nos respeitarem».

«Decidimos levar a cabo esta iniciativa depois de uma reunião da assembleia-geral do sindicato e na sequência dos recibos do último vencimento da polícia. Ficámos surpreendidos quando percebemos que recebemos em alguns casos menos 100 euros», justificou.

Milhares de polícias manifestaram-se a 21 de novembro em Lisboa e, depois de derrubarem uma barreira policial, conseguiram chegar à entrada principal da Assembleia da República, onde cantaram o hino nacional e depois desmobilizaram voluntariamente.

A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um processo de averiguações aos acontecimentos ocorridos na manifestação.