As autoridades britânicas decidiram esta quinta-feira abrir uma investigação formal sobre o desaparecimento de Madeleine McCann, na Praia da Luz, Algarve, a 3 de maio de 2007. Em Portugal, as autoridades entendem que os novos factos não justificam a reabertura do processo.

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Segundo fontes da polícia britânica, os dois anos de análise do caso que foi arquivado em Portugal mostraram que há novas pistas e novas testemunhas, pelo que há matéria para investigar. A equipa, que esteve sempre em colaboração com as autoridades nacionais, encontrou «38 pessoas de interesse» que deverão ser inquiridas. Doze destas pessoas são cidadãos britânicos que estavam em Portugal na altura do desaparecimento.

Em Portugal, a Polícia Judiciária esclareceu que «não surgiram na perspectiva das autoridades portuguesas provas com relevância suficiente que permitam a reabertura do inquérito». Apesar dos novos factos, a mesma fonte explica que as «autoridades nacionais não são condicionadas» pela abertura de um inquérito no Reino Unido que obedece aos pressupostos da lei penal britânica.

As equipas que analisaram o caso em Inglaterra nos últimos dois anos deslocaram-se a Portugal 16 vezes, tendo mantido contactos com a Polícia Judiciária e outras autoridades. A colaboração entre as autoridades britânicas e nacionais vai continuar a decorrer como até agora e qualquer diligência da polícia britânica em Portugal terá de ocorrer mediante os pressupostos da «lei da cooperação judiciária internacional em matéria penal».

«O nosso relacionamento tem sido positivo e estamos gratos pela cooperação até agora», escreve a polícia britânica.

O comunicado da polícia britânica informa ainda que estão neste momento a ser efetuadas diligências para que os interrogatórios ocorram a cidadãos de outros estados membros. Em Portugal, as autoridades não precisam se há cidadãos nacionais na lista de suspeitos.

Gerry e Kate McCann consideram que este é «um grande passo em frente».

A polícia britânica pegou no caso quando o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em 2011, respondeu ao apelo dos pais da menina desaparecida.

«A revisão do caso trouxe-nos uma nova forma de pensar, novas teorias, novas provas e novas testemunhas», confirmou o inspetor Andy Redwood.

Em comunicado publicado no seu site, a polícia inglesa explica que o processo é «complexo» e que teve problemas de tradução com os mais de 30 mil documentos enviados de Portugal.

«Continuamos a acreditar que a Madeleine pode estar viva», diz a mesma nota.