A Polícia Judiciária (PJ) da Madeira já ouviu os familiares do bebé desaparecido na Calheta, no último domingo. Foram interrogados durante quatro horas todos os familiares que se encontravam na casa de onde desapareceu o pequeno Daniel de apenas ano e meio. Além dos familiares, foi ouvida também uma vizinha que diz ter ouvido um carro a parar junto à vivenda.

A PJ, em acordo com as outras entidades envolvidas na procura do menino, suspendeu as buscas nas redondezas ontem de manhã. Foi, entretanto, emitido um alerta para aeroportos, hotéis e portos. A família defende a tese de rapto, já que, junto à vivenda de onde desapareceu o menino, há uma estrada muito frequentada, nomeadamente por turistas.

Uma vizinha dos familiares de Daniel garante ter ouvido um carro subir a rua, parar junto à casa e depois descer, mais ou menos à mesma hora que os pais do menino deram pela sua falta.

Esta terça-feira de manhã, os inspetores procedem a diligências na casa onde a criança foi vista pela última vez. Para as autoridades, pode-se estar perante um simples desaparecimento ou um rapto e «todos os cenários estão em aberto».

«Nem imagina as perguntas que lhes fizeram»

Todos as pessoas ouvidas até agora tê-lo-ão sido na qualidade de testemunhas e não de arguidos. Mas o «Diário de Notícias» (DN) diz que os pais de Daniel estarão a ser tratados como suspeitos. O jornal cita uma irmã da mãe de Daniel, que conta que os pais «foram apertados». «Nem imagina as perguntas que lhes fizeram. Se tinham vendido a criança, se tinha havido um acidente e escondido o corpo. A PJ acha que eles são culpados e fizeram-lhes todas as perguntas possíveis e imaginárias como se fossem responsáveis pelo desaparecimento do Daniel», conta Cátia, de 25 anos, tia do menino, citada pelo DN.

«Estou revoltada porque suspenderam as buscas antes de 24 horas e agora querem culpar a minha irmã e o meu cunhado. Eu sei que a PJ está a fazer o seu trabalho, mas penso que foi demasiado cedo para deixarem de o procurar», acrescenta a mesma fonte.

Uma outra tia da criança questiona «como é possível culparem os pais». «Podem ter muitos defeitos, mas não vejo a minha irmã a vender um filho», diz.

Família sinalizada pela Proteção de Menores

Os pais de Daniel, ambos com 24 anos, estão desempregados e vivem em condições precárias, numa casa no sítio das Laranjeiras, na Calheta. O casal tem mais uma menina, com três anos.

A família estava a ser seguida pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco. De acordo com o «Correio da Manhã» (CM), não havia quaisquer sinais de maus-tratos sobre o menino e a sinalização junto da Proteção de Menores dever-se-ia apenas à falta de fontes de rendimentos da família.

Daniel desapareceu no último domingo, por volta das 14:00, da casa de familiares, onde tinha ido com os pais e a irmã passar o dia. Na altura, vestia calças azuis escuras, um casaco alaranjado e cinza e usava uma chucha vermelha.