O número de pessoas apoiadas pelo Banco Alimentar Contra a Fome mais do que duplicou numa década, segundo dados avançados esta quarta-feira pela instituição, que ajuda atualmente 418.881 utentes.

Em 2003, os bancos alimentares apoiavam 189.152 pessoas, número que subiu para 418.881 em 2012 (+114%), adiantam os dados da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares (FPBA) divulgados à agência Lusa, a propósito de campanha de recolha de alimentos em supermercados, que decorre no próximo fim de semana.

A partir de 2008, ano apontado como o início da crise, o aumento foi mais acentuado, passando de 245.269 pessoas, nesse ano, para 272.411, em 2009, 288.019 no ano seguinte, 329.176 em 2011 e 389.200 em 2012.

No ano passado, 2.221 instituições de solidariedade distribuíram 28.323 toneladas de alimentos, com o valor estimado de 39.651 milhões de euros, a 389.200 pessoas.

Em declarações à Lusa, a presidente da FPBA, Isabel Jonet, contou que tem havido «um crescimento do número de pedidos diretos» aos bancos alimentares, mas também se observou «um grande crescimento dos pedidos por parte das instituições», que pedem «o reforço do cabaz mensal que lhes é entregue porque têm mais dificuldades».

«É preciso enfrentar com realismo que, neste momento, há mais pessoas desempregadas, mas também há muitas famílias sobre-endividadas», disse Isabel Jonet.

As «famílias, desempregados, crianças e idosos» são os grupos mais afetados pela crise económica, que fazem aumentar «significativamente os pedidos de apoio ao Banco Alimentar e a necessidade de alargar a sua capacidade de resposta às instituições sociais que apoiam».

«As instituições lidam diariamente com esta realidade e tentam não diminuir a assistência, recorrendo a fontes alternativas de apoio, nomeadamente o Banco Alimentar», explicou a responsável.

De acordo com os dados, também tem vindo a crescer o número de instituições apoiadas pela FPBA, passando de 1.056, em 2003, para 2.291, em 2013 (+116%).

Isabel Jonet comentou que «2012 foi um ano muito difícil» para os bancos alimentares, porque houve «um decréscimo muito grande das doações da indústria».

«Como diminuiu o consumo em Portugal, a indústria diminuiu a produção e, consequentemente, diminuíram os excedentes», explicou, comentando que «este ano a situação piorou muito».

Os dados da FPBA revelam um crescimento das doações entre 2008 (17.406 toneladas) e 2011 (30.261 toneladas), tendo começado a diminuir em 2012 (28.323 toneladas).

Além da campanha de recolha nos supermercados no fim de semana, os portugueses também podem contribuir, até 08 de dezembro, através da campanha «Ajuda Vale», e da plataforma eletrónica ( www.alimentestaideia.net) para doação de alimentos, que permite a participação de pessoas que habitualmente não se deslocam ao supermercado ou que residam fora de Portugal, nomeadamente os emigrantes

Nas campanhas realizadas em maio e dezembro de 2011, foram recolhidas 5.921 toneladas de géneros alimentares, número que subiu para 6.217 toneladas em 2012.

Na última campanha realizada em maio deste ano, os Bancos Alimentares contra a Fome conseguiram recolher um total de 2.445 toneladas de produtos.