O novo patriarca de Lisboa exortou neste os portugueses a inspirarem-se na capacidade de resistência da população do Norte do país. A declaração foi feita durante a primeira missa após ter tomado posse, naquela que foi a sua apresentação à diocese.

Perante uma plateia, no Mosteiro dos Jerónimos, na qual pontificaram personalidades como o Presidente da República, Cavaco Silva, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e ministros como Paulo Portas, Pedro Mota Soares e Barreto Xavier, Manuel Clemente evocou o exemplo do povo e das instituições nortenhas.

«O Norte bem nos pode inspirar a todos, pela capacidade de resistir, recomeçar e inovar», sublinhou Manuel Clemente na homilia sustentando que esta é uma capacidade que esta «população reiteradamente demonstra, em muitos dos seus intervenientes sociais, económicos e culturais».

A assistir à cerimónia estão, entre outros, a presidente da fundação de direitos humanos Pro Dignitate, Maria Barroso, o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, e o Duque de Bragança, Duarte Pio.

O Presidente da República, o primeiro-ministro e o novo patriarca de Lisboa foram recebidos no interior dos Jerónimos com uma salva de palmas.

Na homilia, intitulada de «Reedificar na paz a cidade de todos», Manuel Clemente aproveitou para recordar a experiência e os testemunhos recolhidos enquanto bispo do Porto, lugar que deixou vago após ter sido nomeado patriarca de Lisboa pelo papa Francisco, a 18 de maio.

«Foram muitos os testemunhos (...) de dedicação» também «em centenas de instituições sociocaritativas (...) com generosidade reforçada pelas atuais dificuldades da sociedade portuguesa e especialmente nortenha», frisou.

O patriarca defendeu ainda que, «como tudo na Igreja de Cristo, só em comunhão se serve a comunhão: assim foi no Porto, como assim será em Lisboa».

No momento de «retomar na Igreja de Lisboa o que nela» começou «a viver há seis décadas e meia», o patriarca recordou o seu antecessor, e agora patriarca emérito, José Policarpo.

«Reafirmo a muita gratidão pela amizade com que sempre me acompanhou, bem como pela lucidez e generosidade do seu serviço eclesial, dentro e além do patriarcado», referiu.

A Igreja de Lisboa «vai promover a renovação da pastoral da Igreja em Portugal», disse ainda.

No decorrer da homilia, o prelado sustentou que «a Igreja não existe para si mesma, mas em permanente ação de graças e para o mundo em constante serviço».

Razão pela qual «o que não se inclui neste duplo e coincidente movimento está a mais e exige conversão», uma vez que «este nosso mundo de hoje em dia precisa urgentemente de comunidades de acolhimento e missão», acrescentou.