O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, disse esta segunda-feira, em Bruxelas, que «não está excluído» um envolvimento português na operação militar da União Europeia na República Centro-Africana, mas lembrou as atuais limitações militares e, sobretudo, financeiras de Portugal.

«Não está excluído, mas ainda não está decidido que possa haver um apoio militar, naturalmente dentro das nossas possibilidades militares e financeiras, particularmente financeiras», declarou Rui Machete aos jornalistas portugueses, durante a reunião de chefes de diplomacia da União Europeia, que decorre hoje em Bruxelas.

Apontando que a UE deu «um primeiro passo» para uma operação militar na República Centro-Africana, no quadro da Política Comum de Segurança e Defesa, «ao aprovar o conceito de gestão de crises», o ministro afirmara antes que o apoio de Portugal «ainda não está decidido», acrescentando que «é provável que haja uma participação, pelo menos expressando» o apoio de Portugal «à política seguida pela UE».

Questionado sobre se o apoio de Portugal seria, nesse caso, apenas de ordem política, Rui Machete disse então que um envolvimento militar não estava excluído.

O ministro disse ainda que, na intervenção que fez durante o Conselho de Negócios Estrangeiros, expressou o «apreço» de Portugal «pelo empenho da França e da União Africana, igualmente apoiadas pela União Europeia», na República Centro-Africana, comentando que as suas intervenções «têm contribuído de modo determinante para conter a escalada de violência que se registou naquele país».

Rui Machete falava à imprensa pouco depois de os 28 terem apoiado o lançamento de uma missão militar da UE na República Centro-Africana, de apoio às forças africana e francesa, já no terreno.

A República Centro-Africana mergulhou no caos depois do golpe de Estado de março de 2013 realizado pela coligação rebelde Séléka, com origem na minoria muçulmana e dirigida por Michel Djotodia, que assumiu a presidência.

Djotodia demitiu-se no passado dia 10, pressionado por não conseguir travar os confrontos entre cristãos e muçulmanos, e o parlamento da RCA está a eleger hoje um novo Presidente de transição.

Os confrontos sectários provocaram deslocações em massa da população, tendo perto de um milhão de pessoas abandonado as suas casas na RCA desde final de março de 2013. Além disso, cerca 2,6 milhões (metade dos habitantes do país) precisa de ajuda humanitária.