O comandante dos Bombeiros de Lordelo, Paredes, disse este domingo à Lusa que nos próximos dias vai prosseguir o levantamento das necessidades das cerca de 60 pessoas afetadas pelo tornado da madrugada de sábado.

«A partir de hoje [domingo], vou andar no terreno com duas equipas para falar com as famílias que estão desalojadas, para perceber se há necessidade de dar apoio para restabelecer a normalidade, nomeadamente na colocação de telhados e remoção de objetos», adiantou Pedro Alves.

Aquele elemento da Proteção Civil acrescentou que os bombeiros estão, juntamente com os serviços municipais e os presidentes de junta, «a fazer um levantamento exaustivo de todos os danos provocados pelo fenómeno».

«Vamos avaliar os danos mais relevantes para depois intervirmos nas situações mais complicadas», observou. Pedro Alves disse esperar que o Governo apoie o concelho de Paredes neste momento tão difícil.

Falando à Lusa, este domingo de de manhã, quando se preparava para iniciar um périplo pelas quatro freguesias afetadas pelo fenómeno meteorológico (Lordelo, Sobrosa, Vilela e Duas Igrejas), o comandante revelou que, nas últimas horas, os bombeiros têm sido abordados pelos populares para darem ajuda em inúmeras situações.

«As pessoas vêm ter connosco e pedem ajuda. Dentro das nossas capacidades, estamos a fazê-lo, porque queremos dizer que estamos aqui para apoiar no que for necessário». O mesmo responsável acrescentou, emocionado: «Temos de ser um braço amigo das famílias e dar-lhes um pouco de apoio moral, porque as pessoas estavam muito constrangidas com a situação. Foi dado apoio psicológico no local para as pessoas sentirem que estava lá alguém para as ajudar».

Tornado afetou famílias com dificuldades económicas

O presidente da freguesia do concelho de Paredes mais afetada pelo tornado da madrugada de sábado alertou hoje que os estragos nas habitações afetaram famílias que já viviam com dificuldades económicas.

António Bessa, autarca de Duas Igrejas, localidade onde foram afetadas 30 habitações, disse à Lusa que o apoio do Governo é essencial para ajudar nas situações socialmente mais delicadas.

«Sem dúvida que ajudaria muitas famílias, porque algumas, mesmo sem esta situação, já vivem com muitas dificuldades. Algumas já tinham ajuda da Segurança Social. Com esta situação, o pouco que tinham está em muito mau estado», recordou.

Ao longo da manhã, junto à igreja da freguesia, que também foi afetada pelo tornado, o autarca recolheu elementos sobre os estragos nas habitações, falando com populares afetados.

«Estou a fazer o levantamento dos estragos. Estou a contactar as famílias que estão a dar elementos para vermos a dimensão dos prejuízos causados. Ao nível dos recheios, todas as pessoas têm as casas com humidade no interior. Neste momento, é difícil avaliar o que está realmente danificado e sem recuperação», explicou à Lusa.

Apontando para os telhados danificados de vários edifícios próximos, o presidente da junta considerou a situação «muito delicada», porque, «para além dos prejuízos causados nas habitações, há os danos nas viaturas, algumas com prejuízos avultados».