Notícia atualizada

A administração do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) anunciou esta quinta a abertura de um inquérito interno para averiguar as circunstâncias em que parou, na terça-feira, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

Em comunicado enviado à agência Lusa, o conselho de administração da unidade hospitalar revelou que analisou a situação numa reunião realizada na quarta-feira, tendo determinado «a abertura de um inquérito interno para averiguar os factos».

No documento, a administração do HESE assinalou que, «apesar da dificuldade no recrutamento de recursos humanos, há um empenho constante em garantir a operacionalidade da VMER», instalada no hospital.

«Isso revela-se no aumento crescente das taxas de operacionalidade registadas ao longo deste ano, que atingiram uma média de 96,4 por vento», pode ler-se no comunicado.

O conselho de administração do hospital indicou ainda que «a escala de setembro da VMER tem todos os turnos operacionais até ao fim do mês».

Também o Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos (OM) manifestou esta quinta-feira preocupação com a inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Évora e pediu «rigor e rapidez» na investigação do caso.

A VMER de Évora estava inoperacional na passada terça-feira, por falta de recursos humanos, quando foi chamada a socorrer um doente em paragem cardiorrespiratória, que acabou por morrer.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a estrutura regional da OM afirmou que «vê com preocupação» a inoperacionalidade da VMER e que «uma situação deste tipo se arraste há tanto tempo, mesmo depois de terem sido feitas promessas de resolver o assunto».

O Conselho Regional do Sul da OM defendeu que «os responsáveis», sem especificar quais, devem «explicar por que razão se mantém a VMER de Évora neste plano de baixa operacionalidade».

O órgão da OM referiu ainda que «espera que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) apure com rigor, recorrendo a peritagem médica, e com a rapidez que tem revelado em casos recentes, se estas mortes se devem ou não a falta de assistência da VMER».

«Estabelecer, de imediato, uma relação direta entre a morte e a falta de assistência pela VMER pode ser abusivo, mas a verdade é que estas ocorrências se têm sucedido: há pedido para acionar a VMER, esta não pode sair por falta de recursos humanos e a seguir ocorre a morte», pode ler-se no comunicado.

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo já abriu um processo de averiguações, assim como a IGAS também já está a investigar o caso, adiantou à Lusa fonte do Ministério da Saúde.

Este é o terceiro caso conhecido, em menos de um ano e envolvendo vítimas mortais, em que a VMER de Évora está indisponível para uma situação de emergência, depois de, em abril deste ano, não ter participado no socorro a dois homens que sofreram um acidente, perto de Reguengos de Monsaraz, e que acabaram por morrer.

Também no dia 25 de dezembro de 2013, a VMER estava inoperacional quando um acidente na Estrada Nacional (EN) 114, entre Évora e Montemor-o-Novo, que envolveu dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves, como recorda a Lusa.