A Ordem dos Médicos decidiu suspender a colaboração dos médicos com o Ministério da Saúde e apelou aos médicos para que recusem assinar todo e qualquer tipo de contratualização imposta, ainda este ano ou para 2015.

Considerando que os médicos estão a ser coagidos pelo ministério a optar entre a desqualificação do seu trabalho ou a emigração, a Ordem dos Médicos apela aos clínicos, em comunicado, para que cessem a participação em grupos de trabalho e recusem imediatamente toda e qualquer colaboração graciosa com o ministério de Paulo Macedo, Associação Central do Sistema de Saúde, Administração Regional de Saúde, Direção-Geral de Saúde, Hospitais e Agrupamento dos Centros de Saúde.

A Ordem apela ainda aos médicos que informem diretamente os seus doentes da «gravidade e impacto» da atual política do Ministério da Saúde e que continuem a denunciar à Ordem (em cada seção regional) todas as situações de «deficiência, insuficiência ou pressão que possam pôr em risco a saúde dos doentes e o seu tratamento de acordo com as boas práticas médicas».

«Só unidos, os médicos poderão preservar um futuro com qualidade para a medicina em Portugal», salienta a OM.

A Ordem dos Médicos observa que o Ministério da Saúde dedica mais atenção a «alimentar notícias» na comunicação social do que a «promover um diálogo efetivo e sério com os médicos e com os doentes», advertindo que a Ordem «não assinará acordos vazios de conteúdos concretos e devidamente datados».

Sublinha ainda que a recente greve convocada pela Federação Nacional dos Médicos, em vez de ser considerada pelo Ministério da Saúde como um «sinal de alerta», foi «completamente desvalorizada» e, com «base na mistificação, reduzida a uma mera iniciativa de caráter político-partidária».

«O que se passa na Saúde em Portugal é grave, como demonstram as urgência sobrelotadas, os hospitais com pessoal insuficiente, os doentes sem médico de Família e a realidade de cada vez mais doentes oncológicos terem de ser operados no setor privado», acrescenta.

Em comunicado, diz ainda que o Ministério da Saúde «lança recorrentemente acusações» à Ordem dos Médicos, mas «foge ao debate honesto e frontal dos problemas da Saúde, porque sabe que não tem razão nas suas afirmações».

Por todas estas razões e pela «falta de respeito e consideração» que o Ministério da Saúde evidencia relativamente ao trabalho médico, e pela postura de secretismo evidenciada na questão da «Lei da Rolha» (Código de Ética), a Ordem decidiu, assim, suspender a colaboração dos médicos com o Ministério da Saúde.